quarta-feira, 23 de março de 2011

Ego.


Caminhos desiguais, obstáculos na luz


provocando sombra pra acompanhar


a solidão de quem jaz em um universo irreal


de inverdades convictas que não cessam o mal.


Indiferente ao alheio que caminha ao lado,


desfaz do abraço pra cavar um buraco.


Ser amado e não amar


Quer presença e não estar


Subjugado, apaixonado pelo reflexo do espelho


beleza não há fora de si


desencontro é o que se acha ali


não olha quem fica pelo chão


tem uma pedra como coração


vive um viés de quem ignora o que é


anda na ponta dos pés


mas quer chamar a atenção


e nada de bom oferece não


sentença do ego que o cega


traz pra longe a vida que nega


viver sozinho, amigo


você escolheu seu caminho


ter gente ao lado


não é ser acolhido


tome pra si cuidado
ego maldito.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Estúpidos corações.


Se de perto há conflito, a distância vai trazer paz.
Ah, estes dramas rídiculos! E a culpa é dos dois lados que os alimentam. Quem fala e quem escuta, ao invés de calar, retruca. Sábio tempo, mais sábio que vocês. Esse sim vai acalmar a tempestade que há nesses corações.

Não aguento mais estas ligações. Estou fartas desta situação. Falta maturidade sentimental e relacional dos dois lados.

Carência estampada no mártire dos dois.

Será que vocês não vêem o quão ridícula é esta situação?

Um dizendo mal me quer, enquanto o outro diz bem me quer. Um mal bem querer dissimulado de confusão. Isso é veneno ao ânimo.

Egoistas! Não pensam em quem lhes ama. Só querem ser amados, sem escrúpulos para conseguir o afeto.

Aprendam a se amar antes de amar afora. Aprenda a se olhar e gostar de si mesmo. Reinvente-se quantas vezes for necessário. Encontre um sentido e não busque no outro.

Se você espera demais de alguém, prepare-se para desapontar-se. É dor, meu bem. É dor e só o que você sente, eu sei.

É raiva, eu sei. Raiva que agussa as lágrimas e as apressa a escorrer sobre a face. Raiva que faz querer desistir de tudo, até da vida. Sabe por quê? Por não saber se amar.

Anular-se por alguém foi o maior erro que cometeu. A felicidade jamais dependerá da nossa natureza humana, tão terrível como é.

Pare de correr em círculos! Eu já me fartei de gritar a você. Será que vocês não vêem o mal que fazem um ao outro? Quantos boatos e maldizeres espalhados. Basta!

Corações estúpidos! Sim, estúpidos! Redundantes. Buscam o que?

Pare de dizer que ama! Pare de tentar convencer alguém a gostar de quem você é, se nem mesmo você o faz! Pare de dizer que não tem amigos, se você se isola em um mundo entre quatro paredes! Pare de tentar fazer os outros sentirem pena de você!

Pare de ligar pra disseminar sua ideologia de quem quer ter razão, mas já se perdeu também no meio da confusão! Pare de tentar agir como alguém que tem maturidade, se não sabe ignorar desabafos de um apaixonado juvenil! Pare de tentar corrigir um errro que lhe assola, quando tudo já acabou! Pare de tentar se aproximar amigavelmente, se tormenta é o que isso causa!

Desculpe a intromissão, mas sejam mais relevantes. Parem de torturar-se. Cansei dessa dor, desse caos, de todo pesar que afeta 'ao redor' de vocês.

Não se limitem a um mundo de guerra entre vosês dois, resultado de um assunto mal resolvido. Existem outras pessoas que já não suportam mais tudo isso.

O sofrimento, a dor e os conflitos são problemas de todos. Você não sofre com exlusividade, pois cada um recebe examente aquilo pelo que procurou, mesmo tendo um viés de quem buscava algo muito melhor.

domingo, 6 de março de 2011

Resposta ao verso.

Não sei se você busca uma resposta, não sei se há muito que se esperar dessa situação.
Sem pestanejar, resolvi escrever, porque de certa forma sou instigada e inspirada a fazer por você.
Sim, foram momentos agradáveis. Andar sem pressa, sem destino, simplesmente pela afável companhia, sem nada planejado. Os mais inesperados e intrigantes pensamentos que já tive regaram minha mente estes últimos dias, confesso.
Preciptação, talvez. Não preciso de um motivo, nem ruim ou bom. Só me basta aceitar algo pelo que eu nem podia esperar ao menos que acontecesse, e sem acontecer terminar. Sem entender, sem desvendar, sem cogitar a prova.
Chegou a hora de levantar e partir, afinal pra você não dá. Preciso caminhar. Não se preocupe, ainda é cedo pra nós.
Eu sei, você tentou se aproximar, em meio a uma leve insegurança e incerteza, quem sabe. Talvez eu tenha restringido suas ações, confundido, amedrontado nossa ímpar situação em seus pensamentos.
Agradeço pelos versos, agradeço pela companhia, pelas ligações e pela atenção dispensada.
Aceito e levo no coração uma doce lembrança de você, com saudades. Um dia, talvez, possamos ter mais um momento despretencioso só pelo prazer de estarmos ao lado, sem esperar por nada além disso.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ser, ainda.

Lembro dos dias em que fomos
Hoje é latente o que somos
Uns pra lá, outros pra cá
Lembro de alguém
Em um canto qualquer da sala
Tocando um violão
Desculpa pra estarmos ao lado
Juntamos um bando de vozes
Cantando alguma canção
Que faça sentido pra nós
No estar da situação
Que afaga o peito
Com batidas do coração
Pra selar o que ainda somos
Lá dentro e traz pra memória
O amor, meu bem
O amor que agente ainda tem
E a grandeza do que já construímos
E ainda vamos erguer

Se já foi, ainda há tempo de ser melhor.
Melhor, meu bem.
A lembrança faz crer no que há
Não desista de acreditar no melhor, meu bem
O melhor que agente ainda pode ser.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Desabafo.



Por estes dias tenho sussurado a mim mesma, contra o vento, contra a parede, contra o espelho. Tento entender a minha frustração e insatisfação com determinadas coisas.
É um descompasso sentimental que me atormenta. Aparentemente tudo vai bem, mas tem essa questão que me assola.
Muita gente olha pra mim e com convicção tentam me convencer da sua visão racional da minha promissora situação, da 'sorte' que tenho.
Então por que eu não sinto? Por que isso me desanima? Por que me desistimula?
Eu já deixei tanta coisa em aberto, e me pego dizendo a mim mesma que preciso de um recomeço. Arquiteto meus esquemas, faço meus planos, as vezes até sonho.
Enfim, como eu posso recomeçar sem concluir o que eu preciso terminar?
Pra cada novo dia existe um novo começo, embora eu tenha pendências do ontem, o final do dia sempre será consequência das minhas decisões.
Eu nunca admiti, mas até hoje, quando eu trago a memória recordações, eu nunca fui adepta de mudanças. Não quero dizer que tenho dificuldades de adaptação, na verdade não tenho, mas sempre vivi despretensiosamente um tanto 'comodista'. Embora, hoje, pós minha auto análise, descobri que eu praticamente me reinvento todos os dias, sem deixar de ser quem eu sou. Paradoxo, assombroso e incrível, não?
Cogito possibilidades catastróficas de mudanças para mim. Não digo catastróficas em um sentido de tragédia, destruição, mas pela intensidade e grandeza daquilo que tenho vislumbrado pra mim.
Nstes últimos dias eu percebi o quão limitada era minha visão, e eu também, apesar de pensar que era extremamente ampla e privilegiada. Nada disso.
Não há nada de errado em fazer grandes planos, sonhar com grandes acontecimentos e desejar que eles aconteçam. Errado é deixá-los a mercê do vento, como se algum dia ele fosse trazer isso até você.
Quem espera que o vento traga algo de interessante só vai encontrar folhas secas. Eu disse isso a um amigo, algum tempo atrás. E de fato, isso é tudo que o vento trás.
Os sonhos podem nos impulsionar a encontrar um caminho, esquematizar um plano e atingir nossos objetivos.
Viver em conformismo, continuar 'comodista', contentar-se com resquícios de uma felicidade que pode ser desfrutada em plenitude, sem nunca crescer, me farão chegar aonde? Lamentar as feridas, toda aquela gente egoísta a quem eu me doei e saíram ou precisaram ser convidados a deixar a minha vida, me ajudarão em que?
Amigos vem e vão, e é bom preservar os poucos e verdadeiros. Amores também, até que você encontre aquele que o 'é' pra sempre. Um sentido, uma razão pra nossa existência, é isso que buscamos todos os dias. É só não ignorarmos o fato de que não nascemos por acaso, é só não ignorarmos o fato de que a vida não é simplesmente um vazio desprovido de razão e significado, obra do acaso. Aquele subterfúgio pra justificar a liberalidade e desfrutarmos a vida da forma como bem entendemos, levados pelo instinto humano leviano.
Todos nós existimos por muito mais do que simplesmente temos vivido. Eu olho para o alto para nunca esquecer a principal razão da minha jornada, e é isso que me impulsiona e faz diferença sempre que o sol se ergue pra nós outra vez.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Ei, meu bem.

Por favor, não pegue no meu pé hoje. Não faça perguntas difíceis.
Sabe de uma coisa? Não faça pergunta alguma.
Deixe-me olhar, olhar e olhar pra você. Deixe-me continuar pela minha estrada, rodando o mundo afora.
Sou um forasteiro. Pelo meu papo você sabe que eu não sou daqui. Não me olhe com essa cara de assombração. Não precisamos passar por isso novamente.
Eu e você sabemos que todas estas discussões tão clichês que já enfrentamos, que até parecem fazer parte de alguma espécie de roteiro hollywoodiano, não nos ajudarão neste desfecho. Na verdade, não precisamos concluir isto. Vamos deixar em aberto. É bom sentir tudo isso que você me provoca. É bom rascunhar todas estas palavras soltas que não fazem o menor sentido, a não ser neste nosso contexto, cheio de irritantes discrepâncias, deste emaranhando de devaneios de um romance juvenil que amadurece ou não.

Sabe, meu bem, quando eu paro pra pensar não é boa idéia andarmos de mãos dadas, embora eu goste disso. Não é boa idéia nos abraçarmos por aí, embora eu queira tanto te envolver nos meus braços. Não é uma boa idéia tentar remendar nosso romance, embora eu o viva em cada sonho.

Quando começo a ser racional eu enxergo as minhas cicatrizes. Elas não doem, afinal são só cicatrizes. Eu percebo por elas que eu estou curada destes machucados, mas lembro do quanto sangraram.Isso importa agora? Não, claro que não.
No entanto nos conhecemos. Sabemos o que queremos, mas não sabemos corresponder um ao outro.Tem tanta gente por aí que poderia caminhar bem melhor ao nosso lado do que nós mesmos.

Por que insistimos? De onde vem esse atração? Não conseguimos ficar distantes, mesmo sabendo o que vai acontecer depois. Meu bem, faça assim, segure minha mão, sem fazer questão do futuro. Segure minha mão só porque agora tudo que temos é este momento. Vamos ser felizes agora, depois já não importa. Se o que fizermos agora for bom e sincero, tenha certeza, é o fruto disso que nos espera quando amanhã chegar. Amor e só, vai ser tudo o que terei pra te dar.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Cansei.

Deveria ser só mais um daqueles dias comuns. Eu caminharia pelas mesmas ruas, faria as coisas de sempre, veria as mesmas pessoas, cairia na velha e habitual rotina. Tão redundante quanto as minhas falas.
Deveria ser um dia comum, em que sol ou chuva são indiferentes, em que eu passaria pelos mesmos lugares, tão entretida com meus próprios pensamentos, sem perceber o que acontece com quem passa. Ver o rosto daquela multidão anônima que se multiplica a cada passo, sem prestar atenção ou dar a mínima importância pra isso. Fechar-me no meu mundo, com meus fones de ouvido e aquele velho livro de utopias tão paradoxais a realidade, tão mais interessante que a vida das pessoas comuns. Tão vazias, tão medíocres, tão sofridas.
Olhar os velhos anúncios pelas ruas, folhear rapidamente um jornal, não perceber a beleza de tudo aquilo que é belo pelo caminho. Estampar a seriedade na cara, soar ardilosamente as palavras, exprimir o cansaço de uma noite mal dormida, correr e continuar buscar motivos pra sorrir. Viver em um sentido desprovido de qualquer razão. Querer sem motivo. Gostar sem sinceridade. Erguer-se por nada, deitar-se por muito menos. Declarar-se livre e escravizar-se ao cotidiano (a jaula que construímos a nós mesmos).
Eu desisti dos meus dias comuns. Abandonei a rigidez e simplória disciplina imposta que nunca me serviram de nada. Quebrei aqueles paradigmas vigentes. Sorri a toa por aí. Cumprimentei quem retribuiu ao riso. Deixei o guarda-chuva pra sentir a sutil frieza de cada gota que me tocava. Ignorei o despertador. Colori o mundo afora com as minhas melhores cores.
Amanhã já não importa. Hoje eu vivi um dia e deixei de lado a patética tentativa de sobreviver a ele.