sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Rita e Marco. (Parte 12)


"Ei, Deus! Se você pode me ouvir, preciso de uma ajuda. Esses dramas amorosos realmente desgastam e eu não sei o que fazer agora."
"Com quem ocê tá falando, Marquinho?"
"Eu só estava pensando em voz alta. Precisando de uma ajuda, tio."
Meu tio caminhou até mim, colocou a mão no meu ombro e deu uma risada. "Vamo sair dessa chuva." Fomos correndo até uma espécie de estábulo, onde ficavam dois cavalos que meu tio criava pra nos refugiarmos da chuva.
"Problema com mulher, fio?"
Eu dei um sorriso de canto.
"É. Mulheres complicadas."
"É, Marquinho... Ah, minha primeira mulher... Ninguém entendia porque eu nunca tinha deixado ela. Eu casei sabendo dos 'pobremas' que ela tinha, que a gente nunca iria ter filho, casei porque a amava demais aquela mulher. Devo dizer que mesmo doente, ela era linda, rapaz!" Os olhos de meu tio brilhavam ao falar de sua falecida esposa. Parecia até que ele podia enxergá-la ali. "Eu só não me mudei daqui porque ela amava esse lugar, sabia?!"
"É mesmo, tio? Realmente não imaginava isso."
"Tem coisa que a gente não entende, mas pode acreditar que sempre depois de uma tempestade dessa, o sol volta, Marquinho. Essa chuvarada toda só serve pra limpar o céu."
"Uma chuva não dura pra sempre, não é mesmo, tio?" Eu sorri, enquanto sentava em cima de um monte de feno. Meu tio se sentou no chão ao meu lado.
"Eu só não entendo, como um cabra bonito igual ocê, trabalhador, com a vida feita, tá sozinho. Essa mulher que não te quer deve ser louca, fio."
"Tio, não exagere." Eu sacudi a cabeça, sorrindo. "Mas ela me quer, sim. Só acha que não pode ficar comigo."
"Uai, como assim?"
"É uma longa história. Eu só me meto em triângulos amorosos."
"Tu gosta mesmo dessa mulher?"
"Demorei um pouco pra perceber, mas eu gosto demais."
"Então, se ela gosta d'ocê é só mostrar pra ela que ocêis tem que ficar junto, sobrinho."
"Queria que fosse simples assim."
"Mas é, Marquinho. Se ela te ama, vai ser burrice te largar, fio." Meu tio sorriu pra mim, enquanto apertava meu ombro. "A chuva já parou. Vamo volta pra lá."
Minha mãe conversava amistosamente com a mulher de meu tio, como se fossem amigas de longa data, sorrindo e compartilhando histórias de suas vidas. Meu irmão estava com todos os filhos de meu tio a sua volta, exibindo seu PSP e eles.
Achei melhor partirmos, já que estava escurecendo. Nos despedimos de todos, meu irmão os convidou para irem a nossa casa qualquer dia, meu tio me emprestou uma de suas camisetas para não ter que vestir aquela suja novamente. Confesso que esse passeio até me fez bem. Eu não estava mais angustiado quanto a Rita. Eu só queria que ela fosse feliz, mas é claro que eu queria deixar bem claro que poderia fazê-la tão feliz quanto ela merecia ser, e se Ivan pudesse fazer o mesmo, eu só poderia desejar que eles fossem felizes.
Caio cochilou no banco de trás. Então minha mãe me fitou e perguntou:
"Escuta, você não vai me contar quem é ela?"
"Como assim?"
"A moça que te faz rir em um dia e em outro te faz ficar mau humorado."
Ambos rimos, enquanto ela passava a mão em meus cabelos.
"Ah, mãe, não tenho sorte com mulheres. Elas não me querem!"
"Filho, não diga isso. Você vai encontrar uma moça que goste de você."
"E o que acontece se eu encontrar uma que goste, mas não quer ficar comigo?"
"Marco, se ela gosta, então ela quer ficar com você. Ela só precisa se decidir."
"Infelizmente tem outro cara na jogada."
"Se ela realmente gostar, vocês vão ficar juntos. Se não, é porque ela nunca gostou realmente de você."
"É, tem razão."
Minha mãe se inclinou e beijou meu ombro.
"Você vai ser feliz, meu filho."
Eu sorri para ela e fomos em silêncio até em casa.
Paz, eu estava definitivamente em paz. Só tinha uma coisa que eu tinha que fazer.
Apesar de ser tarde e estar extremamente cansado, deixei meu irmão e minha mãe em casa, fui até o jardim da Dona Beatriz e peguei uma outra tulipa vermelha.
Fui até a casa de Rita, escrevi um bilhetinho em um pedaço de papel que encontrei na minha mochila.

"De toda felicidade que eu poderia desejar a nós, eu a desejo a você. Levo sempre no coração! Com amor, Marco."

Toquei o interfone, o porteiro atendeu:
"Pois não?"
"É o Marco, amigo de Rita."
"Rapaz, você tem uma mania de visitar tarde as pessoas."
"Eu só queria deixar uma coisa aqui na portaria pra ela."
Ele desceu até o portão para pegar o bilhete e a flor. Voltei para casa, sem deixar a ansiedade sucumbir a minha sensação de tranquilidade.

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"Ei, você está com os pés gelados."
"Esquenta eles pra mim?"
Apesar de não abrir os olhos para ver, eu sabia que Rita estava sorrindo.
"A gente precisa levantar."
"Não a gente não precisa." Eu sussurrei em seu ouvido, beijando sua orelha e a puxando pra mais perto.
"Você sabe que não dá pra ficar aqui o dia inteiro."
"A gente pode tentar. Tá frio lá fora." Eu disse a abraçando pelas costas, beijando sua nuca e sentindo seu cheiro.
Rita se virou, deslizou as mãos pelos meus cabelos e me beijou. Ah, e a sensação que os lábios macios dela me provocavam é tão difícil de descrever.
Então ela se esquivou de mim, e eu tentava a puxar de volta, enquanto a ouvia sorrir. Ela abriu as cortinas, permitindo que a luz do sol invadisse o quarto. Então eu me dei por vencido e resolvi abrir os olhos. Comecei a ver a silhueta de Rita, até enxergá-la nitidamente, com aquele gracioso cabelo despenteado, vestindo minha camisa e me puxando frenética e estranhamente pelo braço.

"Acorda, Marco! Acorda!"
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"Marco, já é quase meio dia! Você disse que ia levar mamãe até o mercado hoje."
Eu acordei com Caio me sacudindo.
"Leva você! Pega o carro... Me deixa dormir outra vez."
"Eu vou sair, cara."
"Se você levar eu te empresto o carro."
"Onde estão as chaves?"
Eu apontei pra escrivaninha.
"Valeu, irmãozão!"
Virei para o outro lado, na patética tentativa de voltar ao sonho. Lamentavelmente, só um sonho.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Rita e Marco. (Parte 11)



"Dona Carmem, eu acho que não deveria estar aqui. Sinceramente, não estou entendendo nada... Quem é aquele rapaz?"
"O ex-noivo de Rita." - Ela sussurrou.
O meu coração disparou tamanha a frustração. Por que ela nunca disse nada? Tudo bem, nos conhecemos há pouco tempo, mas será que aquele beijo significou alguma coisa?
Rita fechou as cortinas do quarto e saiu para fora.
"Vovó, a senhora me deve boas explicações."
"Minha filha, você deve explicações a este moço aqui. Não queria me intrometer, mas você precisa pensar melhor nas suas atitudes."
"Marco, eu não sei por onde começar."
"Não precisa dizer nada. Acho que eu não tenho nada pra fazer aqui. Melhoras para o seu... seu... o que quer que ele seja pra você." Só então percebi como as palavras soaram agressivas de minha boca. Não dava pra esconder minha chateação. Jamais importaria o quão bem vestido eu estivesse, ou o quão bonito eu pudesse parecer, nada disso importa quando se trata de amor. Talvez eu desejasse só as mulheres erradas e estivesse descartando alguém ao meu redor que realmente gostasse de mim, mas eu vislumbrei que eu e Rita talvez pudéssemos dar certo.
Eu me virei para ir embora. Fui caminhando pelo corredor enquanto ouvia os passos de apressados atrás de mim.
"Marco, por favor, espera!"
Eu pensei em não parar e ignorar, mas o que aconteceu demais entre nós? Foi só um beijo. Um beijo que partiu da iniciativa dela, claro. Só que fora isso, não tínhamos nenhum compromisso, não tínhamos nada além da amizade.
Então eu parei, disfarçando a real tristeza que eu sentia em olhar pra ela e lembrar das sensações que ela me provocava.
"Ei, vamos conversar, por favor."
"Pode falar, Rita."
"Podemos ir para outro lugar?"
"Você vai deixar seu... enfim, você vai deixá-lo sozinho?"
"Minha vó vai ficar por lá, caso ele acorde. A propósito, seu nome é Ivan."
"Hum... Então, aonde você quer ir?"
"Vamos a lanchonete do hospital."
Entramos no elevador e pode acreditar, o silêncio era constrangedor. Eu não sabia o que dizer, também não tinha muita certeza se gostaria de dizer algo. No fundo eu queria trazer Rita pra perto de mim, beijá-la, abraçá-la ali por quanto tempo eu pudesse, mas eu comecei reprimir todos os meus desejos. Decepção, talvez fosse isso, mas eu precisava ouvir o que ela tinha a dizer. Talvez não fosse nada do que eu pensava. Talvez ainda houvesse esperança.
Nos sentamos em uma mesa, no canto da lanchonete. Rita se apoiou sobre a mesa, com as mãos cruzadas, enquanto balançava os pés, demostrando sua inquietação.
Eu simplesmente me sentei, jogando todo peso de meu corpo sobre o encosto da cadeira, com as mãos sobre as pernas, olhando pra ela, talvez um tanto melancólico, mas tentando parecer calmo, totalmente corroído por dentro no momento.
Ana abaixou a cabeça, passou as mãos em seu cabelos, olhou para mim e disse:
"Eu não sei por onde começar."
"Pelo começo, talvez, mas é só minha opinião." Forcei um sorriso de canto para combinar com meu sarcasmo. Então decidi me calar, afinal eu não estava melhorando a situação.
"Há um ano eu tive uma briga feia com Ivan. Uma amiga minha, amiga não, amiga não faz o que ela fez... Enfim, ela me disse que estava saindo com o Ivan. Que ele era um cafajeste, mentiroso. Eu sempre soube que ela tinha uma queda por ele, mas quando ela me disse, achei que fosse inveja por conta dos comentários sobre a minha aliança, até que ela me mostrou uma foto dos dois juntos. Então depois de uma discussão feia, rompemos. Confesso que ele não era dos melhores, tinha seus defeitos, mas eu o amava, entende?"
"É, acho que entendo." Inclinei a cabeça e espremi os lábios, enquanto o olhar de Rita vagava longe, como se ela estivesse vislumbrando o ocorrido, ou talvez só estivesse sem graça de me encarar.
"Alguns dias depois do rompimento, ele sofreu um acidente por dirigir alcoolizado. O irmão dele faleceu. Ele entrou em coma. A mãe dele disse que isso era minha culpa, não queria nem que eu viesse ao hospital para vê-lo. Disse pra sumir da vida dele. Enfim, eu fiz amizade com uma enfermeira do hospital. Sempre ligava para saber como ele estava, mas os médicos não sabiam nem se um dia ele iria acordar do coma. Os traumas foram muito graves, foi sorte ele ter sobrevivido. Foi exatamente isso que o médico disse. Eu ligava todos os dias, até que comecei ligar menos e menos, até parar de ligar. Todos diziam que eu tinha de começar a viver e deixar o passado pra trás. De alguma forma eu não achava justo saber da sua situação e tocar minha vida como se nada houvesse acontecido. Eu vivi triste por tanto tempo, até te conhecer e sentir uma estranha alegria de novo... Estranha porque eu já não estava mais acostumada a bons sentimentos."
"E então?" Questionei, mais compreensivo, agora eu podia enxergar a situação de Rita.
"Então, eu achei que alguma coisa estivesse acontecendo entre a gente, até encontrarmos aquela sua amiga, Ana, no shopping e perceber que você era apaixonado por ela e não por mim e voltar a minha realidade."
"Rita, hoje eu acordei pensando em você. Eu acordei pra te ver, acordei porque eu queria que nós continuássemos de onde paramos, daquele beijo. Você mudou tudo, por isso eu acordei disposto a tentar."
Eu me inclinei e segurei a mão de Rita, sem me preocupar em ocultar meus impulsos, agora eu sabia que ela realmente sentia o mesmo. Então eu vi seus olhos se encherem de lágrimas. Ela recolheu rispidamente sua mão e se levantou. As lágrimas começaram deslizar pelo delicado rosto de Rita.
"Agora é tarde, Marco. Ivan precisa de mim... Ele... Ele despertou do coma e a primeira pessoa por quem chamou fui eu. Eu vim vê-lo e nós estamos juntos novamente. Eu prometi que ficaria com ele."
Um balde de água fria. Aquelas palavras soaram tão contra o vento, doeram tanto, mas diferente de Ana, eu sabia que Rita me correspondia.
"Desculpe, mas depois de tudo o que ele te fez? Tudo bem que ele sofreu um acidente terrível, que precisa de apoio, de cuidados, de afeto, mas Rita, você sabe que eu jamais faria o que ele te fez."
"Marco, eu não posso desfazer o que já está feito."
"E eu já não consigo pensar em te deixar."
Rita, saiu da lanchonete e foi para o corredor enxugando as lágrimas.
"Marco, você precisa ir embora."
"Não. Eu não vou!"
"Ele não pode te ver aqui."
"Eu não me importo."
Rita parou e me encarou de frente.
"Por favor, eu só preciso que você saia daqui."
"Eu não acho que é realmente isso que você quer."
"Você não sabe o que eu quero."
"Mais do que isso, Rita, eu sinto!"
Pressionei os meus lábios contra os de Rita, enquanto a envolvia em meu abraço, e inutilmente com os punhos fechados em meu peito ela tentava me afastar. Até que ela sucumbiu, e eu podia sentir suas mãos em meus cabelos me puxando pra mais perto, e eu a envolvia mais firme, aproximando nossos corpos o máximo que eu podia. Eu sabia que ela também queria isso. Sentia o gosto salgado das lágrimas que escorriam de seus olhos. Eu sentia a respiração irregular de Rita, sentia o coração dela palpitar tão acelerado quanto meu.
Até que ela afastou seus lábios dos meus, colou a testa contra minha, enquanto eu tentava alcançar novamente seus lábios e ela tentava se esquivar, mas parecia não ter forças pra se desvencilhar do meu abraço.
"Marco..."
Eu parei, sem soltá-la, sem querer fazer isso sabendo que era exatamente o que ela iria pedir.
"Vá embora, por favor."
E a tristeza tomou conta de novo do meu semblante. Por que tudo tinha de ser tão complicado? Então eu me afastei.
"Eu ainda não desisti de você, Rita."
Ela virou o rosto pra não me olhar novamente.
Então eu parti.
Não, eu não ia deixar tudo escapar assim tão fácil. Rita deveria ser mais convincente se realmente não me quisesse mais.

Acordei muito cedo no sábado. Minha mãe vendo que eu estava disperso e não tão alegre quanto no dia anterior, sugeriu que fôssemos ao sítio de um tio meu. A princípio não queria sair de casa, mas pensei que talvez um pouco de ar fresco me faria bem.
Acordei Caio, que estava relutante em sair da cama, até eu dizer que iríamos ao sítio. Então ele se aprontou em exatos 10 minutos.
Eu fui em silêncio, dirigindo por todo caminho, enquanto minha mãe afagava minha nuca, e Caio estava entretido com seu PSP.

Neste sábado o tempo estava seco demais. O calor queimava meu braço através da janela. Mesmo com os vidros fechados e ar condicionado ligado, estava quente demais.
Chegamos ao sítio. Tio Murilo já estava lá nos esperando, com aquele chapéu de peão e um irradiante sorriso em meio a barba branca, que desde menino eu nunca o vi sem.

"Marquinho! Como'cê tá grande, rapaz! É um homi feito já... E ocê, Caio! Como tá crescido também... Mas que saudades do'ceis... E ocê, Maria, minha irmã!" Ele disse abraçando minha mãe, depois de despentear Caio. "Como tá a vida?"

"Vai bem, irmão! Tirei esses meninos daquela casa pra respirar um pouco de ar fresco."
"Fez bem, Maria! Fez bem. Vamo entrando, gente!"

Fomos entrando naquela casa enorme, cheia de crianças, pelo menos uns sete filhos ele tinha, e sua segunda mulher era pelo menos uns 10 anos mais nova. A primeira era estéril e vivia com problemas de saúde, por isso faleceu cedo.

Lembro de quando meus pais me traziam aqui quando criança. Eu costumava ficar jogando pedras no lago para fazê-las pular. Eu era bom nisso.

Depois de jogar bola com as crianças e meu irmão, sujei toda camiseta de terra e pra variar eu não havia trazido outra. Entretanto, até que consegui me distrair bastante durante o dia.
Devo admitir que a mulher de meu tio era uma excelente cozinheira. Em poucas horas ela havia preparado um banquete naquele fogão de lenha. Eles tinham sim um fogão convencional, o sítio não era assim tão rural, mas meu tio queria que soubéssemos a benção que é morar junto a natureza.

Depois do almoço fui até o lago com meu irmão e ficamos jogando pedras. Mas, logo ele se fartou de ficar ali comigo e foi se deitar em uma das redes da varanda junto a nossa mãe. Caio já tinha 19 anos e cursava cinema. Minha mãe pegava um pouco no pé dele, achava que ele devia fazer medicina, direito ou engenharia. Uma dessas coisas que todo o pai gostaria que seu filho fosse.

Fiquei sentado na beira do lago e reparando a beleza daquele lugar. Lembrando do meu falecido pai, que costumava pescar ali comigo enquanto contava uma série de histórias de assombrações, de reis, de guerras e princesas. Típicas estórias de pescador. Eu gostaria que Rita estivesse ali comigo, mas ela tinha decidido por um cara que havia partido seu coração há um ano atrás. Dá pra entender as mulheres? Tudo bem que ele estava mal, acabou de voltar de um coma, todo arrependido, mas Rita precisa saber que eu não vou desistir até que eu a veja no altar com outro cara. O Sol era muito forte, então tirei aquela camiseta suja de terra, e me deitei na grama e a coloquei sob a cabeça, fechei os olhos e fiquei ali.
Fiz um breve balanço da minha vida e fiquei feliz em saber que tinha me libertado dos sentimentos por Ana, e que agora tinha boas lembranças de uma amiga.
Foi então que um vento gelado soprou e o céu escureceu. Senti uma gota cair sobre meu peito. Então me levantei sem pressa. E a chuva começou a cair. Eu simplesmente não me importei, só a deixei me molhar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ana e Marco. (Parte 10)



Marco saiu da casa de Rita como alguém que se levanta pra viver uma nova vida. Era como se toda bagagem fosse deixada pra trás. Afinal, um dia a gente precisa se livrar de todo aquele peso que dificulta nosso andar. Talvez a sensação de voar seja parecida com a que ele sentiu enquanto voltava pra casa, naquela noite fria.

O sol nasce outra vez. Mesmo dormindo pouco, Marco se levanta no horário e disposto. Já solta logo um bom dia todo animado a sua mãe e seu irmão mais novo, como há tempos ele não fazia.
"Nossa, que animação é essa?"
"Ah, mãe, eu sempre fui alegre!"
"Garoto, eu te conheço. Alguma coisa muito boa aconteceu!" Sua mãe sorria, enquanto preparava a mesa do café.
"O Marco deve estar apaixonado, mãe!" Disse Caio, seu irmão mais novo, levando uma almofadada, o que provocou uma guerra de almofadas.
"Os dois parem com isso! Parecem duas crianças. Onde já se viu, dois rapazes nessa bagunça. Ara!"
Os dois irmão se olharam e começarem a gargalhar juntos.
"Eu vou nessa!"
"Não vai tomar café, meu filho?"
"Não mãe, preciso chegar mais cedo... Como algo no trabalho." Disse Marco beijando a testa de sua mãe e aproveitando pra jogar uma outra almofada em Caio, que estava desprevenido enchendo a boca com um pedaço de bolo.
"Ei!"
"Tchau, maninho!"
Marco correu até a garagem, entrou em seu carro. Aproveitou pra encontrar uma música alegre enquanto o portão se abria, mas no momento em que saiu com o carro da garagem, avistou Dona Beatriz cuidando do jardim. Então parou para dar bom dia a ela.
"Bom dia, Dona Beatriz!"
"Bom dia, Marquinho!"
"Ei, a senhora me daria uma flor?"
"Claro, querido! Que flor você quer?"
"Uma tulipa."
"Vou te dar uma tulipa vermelha." Dona Beatriz veio até a janela de meu carro com a tulipa na mão e coxixou: "Ela pode significar uma declaração de amor."
"Obrigado, Dona Beatriz. Um bom dia pra senhora!"
"Bom dia, Marco."
Marco acelerou. Não via a hora de chegar e encontrar Rita. De ver o brilho do sol se misturando aos seus cabelos dourados, os seus olhos castanhos claro tão expressivos, suas graciosas maças do rosto e seu sorriso perfeito.
Chegando ao trabalho, ele deixou a tulipa junto a um bilhete em cima da mesa de rita que dizia:

'Posso desfrutar da sua companhia nesta noite de sexta?
Prometo ser a primeira das melhores noites a se viver!
Marco.'

Marco irradiava sua alegria contagiante a toda equipe. Reuniu o pessoal de criação e tudo fluía tão bem. Nunca houve tanta sintonia em um dia que tinha tudo pra ser o mais massante. Prazos vencendo, clientes querendo receber propostas de campanhas e parecia que até o final do dia eles conseguiriam cumprir todas as metas. Até Marco notar que Rita ainda não tinha aparecido em sua sala nem para dizer oi.
Então ele começou ficar inquieto. Nenhuma resposta. Nenhum cumprimento. Nenhum sinal de Rita.
Ele pediu licença a equipe e foi procurá-la.
A mesa de Rita estava exatamente como ele a encontrou pela manhã ao deixar a tulipa e o bilhete.
Então perguntou a Carlos, o diretor de quem Rita era assistente:
"Ei, Carlos! E a Rita? Você a viu?"
"Marco, a Rita teve alguns problemas pessoais e não pode vir hoje."
A preocupação com Rita o deixou tenso, e o dia tão lindo já não era mais tão colorido.
"Ah, obrigado, Carlos."
"Ei, e a campanha? Conseguiram desenvolver algo? Cara, aqui as coisas estão difíceis! Tenho mais um cliente interessante pra você."
"Hoje foi produtivo, Carlos. Bem produtivo!"
"Quando acabar com esse cliente, passe aqui pra conversamos."
"Pode deixar!"
A verdade é que Carlos não era bom e gostava de jogar os clientes pra cima de Marco, mas ele não iria aparecer para conversar sobre isso e de verdade, só queria saber sobre Rita.
Sem pestanejar, pegou o celular e ligou para Rita.
Ligou quantas vezes achou necessário, mas não queria parecer chato e obcecado. Enviou uma mensagem de texto. Não recebeu nada de volta. Sem notícias.
"Ei, Marco! O pessoal vai sair pra beber alguma coisa. Você vem?"
"Não sei, Henrique!"
"É sexta, chefe! Cadê aquele ânimo? Vamo lá, cara!"
Marco olhou para o celular, com um olhar de inquietação, pressionando os lábios, esperando uma resposta. Pegou o casaco, fechou o notebook e foi com Henrique.
Ele estava totalmente desligado dos assuntos. Não conseguia se concentrar em nada. Até que sentiu o celular vibrar. Era uma mensagem de Rita.

'Ei, preciso conversar com você. Não me ligue por enquanto. Depois eu explico. Beijos!'
O coração de Marco acelerou. Por que é que parecia que toda vez que a felicidade estava em suas mãos, ela acabava escorrendo por entre seus dedos como se fosse água?

'Depois? Desculpe. Preciso realmente saber o que aconteceu.'

Então Rita respondeu:

'Marco, eu já disse que vou explicar. Quando voltar pra casa eu te ligo. Espere eu ligar!"

Marco já estava começando a se desiludir. O que Rita teria de tão sério para esconder dele. Por que seus sentimentos só lhe confundiam e causavam mais frustrações?
Foi neste momento que ele começou se convencer de que talvez ele devesse viver sozinho.

Ele se levantou, tão aborrecido com a situação, mas na esperança de que tudo não passasse de um engano. Que estava tudo bem e havia uma explicação totalmente razoável para isso.

Voltando pra casa, passou em frente ao prédio em que Rita morava. Parou em frente e pensou que não custava tentar. Tocou o interfone e o porteiro atendeu.
"Pois não?"
"Oi, eu sou o amigo de Rita, Marco."
"Ah, Marco, você já veio trazê-la algumas vezes. Só um momento, rapaz."
Ele ficou aguardando, até que uma senhora de idade apareceu.

"Boa noite."
"Boa noite, senhora."
"Eu sou a avó de Rita."
"Dona Carmem, é isso, certo?"
"Isso mesmo. Você deve ser o Marco."
"Sim, sou eu." Uma ponta de esperança começou a surgir quando descobriu que ela já havia falado sobre ele com sua avó. Rita morava com a avó. Ela e o irmão mais velho, hoje já casado, quando crianças ficaram órfãos. Eles haviam perdido os pais em um terrível acidente, então acabaram sendo criados pelos avós.
"Acredito que era por causa de você que Rita andava tão sorridente, mas agora as coisas se complicaram, jovem."
"Dona Carmem, eu sei que nem deveria estar aqui, mas é que eu realmente queria muito vê-la hoje."
"Acredito que ela também gostaria de te ver, mas agora ela vai dizer que não."
"Eu fiz algo errado?"
"Você não fez nada errado. Ela que esta se culpando."
"Se culpando pelo que?" Marco franziu a testa, totalmente confuso e curioso.
"Aquele carro é seu?" Disse Dona Carmem apontando para o carro preto parado em frente a portaria.
"Sim, é meu sim."
"Então vamos."
"Vamos pra onde?" Comecei a ficar assustado com a vó de Rita.
"Para o Hospital." Ela disse enquanto Marco abria a porta pra que ela entrasse. "Só estou fazendo isso porque quero que minha netinha seja feliz e você me parece um bom rapaz. Ela não pode ficar vivendo com uma velha como eu pra sempre."
Chegando ao hospital e vendo Rita ao lado do leito de um rapaz forte, moreno, cabelos pretos lisos, que dormia, com um curativo envolvendo sua cabeça, Marco não soube bem o que pensar. Quem era aquele rapaz? E por que Rita ficou tão espantada ao ver Marco ali com sua vó.
Ele só esperava que o que quer que ele escutasse não o fizesse lamentar por ter ido atrás dela.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ana e Marco. (Parte 9)



Nós tínhamos muita história juntos. É engraçado olhar todas as nossas fotos juntos no mural de Ana, trazer todas as memórias sem sentir saudades dos tempos em que o gostar era simples, mesmo que não fosse correspondido. Só importava estar por perto.
"Jamais iria dar certo, não é mesmo? Eu e você?"
Conversávamos deitados sobre o tapete bucana branco macio do quarto de Ana, enquanto nossas mãos estavam entrelaçadas, depois de contermos algumas lágrimas até não conseguirmos mais.
"Talvez nós tenhamos nascido somente pra ser bons amigos."
"Sabe, eu fui apaixonado por você todo esse tempo e nunca tive coragem de dizer. Depois que nos vimos no shopping, eu tinha que falar com você de alguma maneira. Fiquei tão desesperado, mas a Rita me fez perceber algo que eu não tinha notado."
"Marco, só agora eu percebo como eu fui superficial. Queria estar com caras maravilhosos e ter você por perto pra suprir uma carência mais profunda de companheirismo, de amizade, de cuidado, proteção, afeto e me envolver com caras vazios, só por beleza... Bem, mas agora ela te fez perceber que você é um gato. Dizem que uma mulher transforma um homem." Ana riu e me fez rir também. "Só quero ressaltar que descobri o que sinto por você depois daquele abraço, antes de te ver assim."
"Então você gostou? Disseram que eu iria fazer sucesso com as mulheres mesmo."
Ana deu uma gargalhada e se encolheu junto a mim, repousando a cabeça sobre o meu ombro.
"É bom estar com você, tão bom que eu quase havia me esquecido da sensação. Só que eu tenho que aceitar que você tem que partir."
"Não vou partir. Só que agora eu tenho um novo amor. Nós ainda iremos cantar "lança perfume" em voz alta em dias de fossa." Comecei cantar em falsete: "Oh, lançaaa... lança perfume."
Ana continuava a gargalhar, quando a vi enxugar as lágrimas. Era como um rompimento de algo que nem se quer havia começado, mas sabíamos que precisamos continuar só caminhando como amigos. Eu sempre iria amá-la, mas percebi que deveria amá-la de outra forma.
Eu envolvi Ana em meus braços, a trazendo pra mais perto, olhei em seu rosto e a ajudei enxugar as lágrimas, enquanto a senti afagando meu rosto para enxugar as minhas.
"Então, nunca vai haver Ana e Marco?"
"Ana, você teve todas as chances. Meu coração sempre foi seu, mas eu tive que pegá-lo de volta pra curá-lo, e sem perceber encontrei alguém que você sabe que tem feito bem a ele." Ana se levantou e sentou com as pernas cruzadas. Deixou seus cabelos caírem cobrindo rosto enquanto abaixava a cabeça pra que eu não visse como ela chorava. Eu me levantei e sentei encostado a sua cama. A puxei de volta pra mim, e a abracei. Dei-lhe um beijo na testa. "Nós vamos ser felizes. Você vai ser feliz. Só que você deixou pra se decidir sobre mim quando já não posso ser mais seu. Agora você tem que esperar por outro alguém."
"Eu sei... Mas, e agora? Eu não sei como lidar com isso. Você era meu melhor amigo e... eu te fiz tanto mal."
"Ei, sei que não foi de propósito. Você não tem obrigação de gostar de alguém porque esse alguém se apaixonou por você. Olha só pra você! Só idiotas não conseguem se apaixonar por alguém assim." Sim, eu me referia a Pedro, aquele ex que acabou com ela por alguns meses. "E você, sabe, não deixo de te amar por isso. Só vou amar como eu sempre deveria ter amado."
"Eu perdi você." Seu olhar melancólico, formando novas lágrimas, fizeram meu coração se apertar enquanto eu resistia aos meus instintos, por conta de toda intensidade do momento. Não podia sucumbir a emoção daquele quarto. Eu tinha que ser racional, ao menos uma vez, ao menos dessa vez.
"Eu nunca fui seu. Nem você minha. Tudo que temos agora é o que sempre tivemos e sempre teremos. Nossa amizade, nosso senso de humor, nossas histórias, nossas memórias e nossos momentos."
"Eu me sinto tão burra por ter desperdiçado o que nós poderíamos ter construído. Enfim... Que Rita te faça muito feliz, se não..."
"Se não?"
"Sempre poderemos cantar "lança perfume" em dias tristes." Eu sorri novamente em meio algumas novas lágrimas que se formavam e eu resistia a elas.
"Eu amo você."
"Eu amo e sempre acabo amando você, Marco."
"Eu sei! Esse corte de cabelo provoca esse efeito."
Rimos juntos e Ana deu um leve tapa em meu ombro, logo em seguida se debruçando novamente sobre ele, e se encaixando em meus braços. Enquanto eu guardava as últimas lembranças desse momento. Seus longos e lisos cabelos castanhos, ondulados nas pontas, caindo sobre seu ombro, e eu os colocava atrás de sua orelha para enxergá-la. A pela dourada, os olhos cor de mel e seus longos cílios. Seus lábios torneados e bem desenhados. Até o nariz de Ana era gracioso, hormonizando perfeitamente a simetria de seu rosto. Mas devo admitir que mesmo ali eu estava ansioso para correr até Rita. Infelizmente já era tarde. Desde a hora em que liguei para Ana, resolvi ter esta conversa, eu só queria vê-la novamente, agora com todos os meus dilemas amorosos resolvidos. Eu precisa dormir para trabalhar no dia seguinte também.
"Acho que eu preciso ir."
"Só mais um pouco!"
Beijei a bochecha de Ana, a abracei por alguns segundos. Nos olhamos fixamente por alguns instantes.
"Me deseje sorte, ok?"
"Sorte?"
"É, com Rita."
"Não preciso desejar sorte. Ela te beijou deliberadamente, Marco. Nem deixou chances pra mim."
"Um detalhe que fez toda a diferença."
"Vocês já tem a sorte de terem um ao outro."
"Nós também temos. Quantos amigos como nós a gente conhece?"
"Somos únicos." Ana deu um sorriso que iluminou seu rosto.
"A gente se vê em breve."
"Claro. Você precisa me manter informada das novidades do seu novo romance."
"Deixa comigo."

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ana e Marco. (Parte 8)



"Stefan, você é incrível!"
"Eu disse a você meu querido. Me agradeça depois." Disse Stefan piscando pra mim com um meio sorriso de satisfação.
"Você é um novo homem, Marco! Devo admitir que você está ótimo!" O sorriso de entusiamos de Rita ao me ver me fez corar. Por alguns instantes não conseguia encará-la direito e dei um sorriso bobo, não sabia bem como agir. Tentei me recompor.
"Stefan, obrigado! Eu preciso ir agora."
"Vá, querido. Não esqueça do meu conselho!" Ele disse me encarando com um sorriso largo de aprovação e mãos na cintura. Foi até Rita, segurou seu rosto gentilmente e deu-lhe um beijo na testa. Abraçou-a e disse para que se cuidasse e ligasse sempre que precisasse.
"Até mais, Stefan!"
"Até, Marco!"
O salão ficava dentro de um shopping, e eu havia parado o carro em um pátio do estacionamento um tanto afastado daquela parte. Isso nos obrigou a caminhar um pouco. Enquanto Rita comentava como as mulheres que passavam por mim me olhavam agora, e eu ficava sem graça. Então Rita me puxa pelo braço, cruzando o dela com o meu e me levando para uma vitrine, mostrando uma jaqueta de pelica que insistia que eu deveria provar, mas eu só queria sair dali.
"Por hoje é só, Rita. Por favor, você vai me levar a falência assim. Nunca gastei tanto dinheiro em um só dia."
Ela espremeu os lábios, inclinou a cabeça, deu um meio sorriso e voltamos a andar, mas ela não descruzou seu braço do meu. Não me importei também que o fizesse. Estava considerando se deveria chamá-la para jantar naquele restaurante.
"Judiei de você hoje, mas acho que valeu a pena!" Seu sorriso encantador, iluminou seu rosto, enquanto ela caminhava graciosamente ao meu lado, agora não só com um braço entrelaçado no meu, mas cruzando os dedos em volta dele.
Então resolvi que deveria chamá-la pra jantar, não querendo forçar nada, mas sabendo que eu devia me permitir sentir algo por um novo alguém, mesmo que nada acontecesse entre nós, que fôssemos simplesmente amigos por anos, mas eu precisava descobrir o que havia ali.
"Rita..."
"Sim!" Rita me fitou, quando de repente eu fiquei paralisado, senti o frio percorrer minha espinha, meu corpo se aquecer, o coração disparar e o suor escorrer frio pela minha nuca.
Lá estava Ana, como sempre linda, parada, encarando meu olhar de volta. Vi seu semblante rígido e surpreso e como ela também estava paralisada. Não sabia se deveria falar com ela, se era o certo, fiquei por algum motivo embaraçado por ter Rita ao lado, segurando em meu braço. Não sei porquê, mas parecia saber que ela sentia o mesmo que eu naquele momento.
Então ela se virou para ir e eu gritei:
"Ana!"
Rita me fitou assustada, tentando entender quem era aquela. Ana parou como se minha voz surtisse um efeito ao qual ela não podia resistir, se virou e percebi que ela forçou seu sorriso ao me ver. Eu me desfiz das mãos de Rita e fui instintivamente até onde ela estava.
"Ana, eu..."
"Marco, não precisa dizer nada. Só não precisava ter sumido... Eu precisava de você." Ela disse em um tom melancólico, tentando disfarçar que estava bem.
"Eu precisava de um tempo pra ajeitar as coisas."
"Tudo bem. Você não me deve explicações. Não vai me apresentar sua namorada?"
"Ela não..."
"Prazer, Rita!"
Rita atravessou minha fala, entrepondo-se em nosso meio e estendendo a mão para Ana.
"Prazer, Ana."
"Preciso ir. Foi bom te ver." Ela disse forçando um sorriso e uma expressão alegre, com a voz um tanto tremula. "Até mais, Rita." Ela espremeu os lábios e andou rapidamente para longe de nós.
"Então, quem é ela?" Questiona Rita, arqueando a sobrancelha, enquanto caminha ao meu lado.
Eu realmente estava perdido. Não sabia o que fazer. Nem sabia exatamente porque tentei me explicar a Ana sobre aquilo. Eu queria correr atrás de Ana, mas não podia deixar Rita ali. Fiquei angustiado, sinceramente.
"É uma amiga. Eu pisei na bola quando ela mais precisava de mim."
"Eu senti que o clima não foi dos mais agradáveis, mas talvez você devesse conversar com ela. Vocês eram bem amigos?"
"É." Dei de ombros, mas acho que agora ela também não deve querer falar comigo.
"Se ela não quiser, não se culpe. Olhe pra você... É um novo homem agora!" Rita falou enquanto se aproximava. Então ela se inclinou e apertou os lábios contra a minha bochecha. "Vai ficar tudo bem! Eu estou aqui." Ela me abraçou e tornou a entrelaçar os dedos em volta do meu braço, enquanto me puxava para continuarmos caminhando, um pouco mais devagar desta vez, e repousou sua cabeça sobre meu ombro e o beijou. Eu dei um meio sorriso, mas a verdade é que meus instintos me faziam ter o insano desejo de correr até Ana e abraçá-la. Eu queria dizer a Ana tudo o que eu não disse durante todo este tempo em que éramos amigos. Mesmo que ela me rejeitasse, eu precisava dizer que eu simplesmente a amava e me livrar desse fardo. Finalmente entendi que eu não podia simplesmente deixar pra lá, mas tinha que resolver e não fugir.
"Ela é realmente importante pra você, não é mesmo?" Rita me olhava gentilmente, com a cabeça inclinada. "Tem algo que posso fazer pra te ajudar?"
Mediante o meu silêncio e o meu olhar distante enquanto dirigia, tudo o que eu queria era deixá-la em sua casa e ir para minha, ou na verdade atrás de Ana.
Eu balancei a cabeça em resposta a pergunta de Rita.
"Sério, Marco. Tente relaxar um pouco. Tudo vai se resolver!"
"Rita, eu sofri muito por causa daquela mulher que você viu hoje. Eu geralmente sou péssimo em falar sobre o que eu sinto. Sou péssimo em expor. Talvez por isso eu nunca tenha tido nenhuma oportunidade com ela. Ao invés disso eu resolvi ser só o melhor amigo e sempre sofria quando a via com um outro cara, mas eu aceitei isso. Até o dia que eu resolvi que tinha de seguir e deixá-la pra lá. Eu precisa me permitir viver e encontrar um novo alguém. E você apareceu..."
Rita me olhava surpresa com a confissão e pressionou os lábios enquanto eu percebi que ela tentava formular algo para dizer, mas eu continuei antes que ela dissesse:
"Você me fez melhor em todo esse tempo que nós temos compartilhado juntos. Minha autoestima melhorou até." Dei um sorriso de canto tentando fazê-la sorrir também pra não tornar a situação menos chata e melhorar o clima. "Não estou dizendo que era certo que nós iríamos ter algum tipo de envolvimento além da amizade, também não posso dizer que me apaixonei por você, embora eu acredite que cheguei perto disso, mas não consegui me libertar do que eu sinto por Ana, embora eu de verdade gostaria muito de tentar. Você já fez por mim muito mais do que podia imaginar, sério. Só continue sendo quem você é."
Ela parou de me olhar, deu um sorriso de canto, enquanto olhava pra frente em silêncio.
Não sabia se deveria pedir pra ela dizer algo, mas preferi deixar o silêncio falar por nós, enquanto eu reparava em como Rita era linda enquanto as luzes das ruas iam iluminando seu rosto pela noite com breves intervalos, e eu realmente queria sentir por ela o que sentia por Ana.
Parei em frente a portaria de prédio em que ela morava.
Ficamos algum tempo em silêncio, então tomei a inciativa:
"Bem... é... nos vemos amanhã."
Rita desprendeu o cinto de segurança, olhou fundo em meus olhos.
Ela se inclinou até mim, deixando seu rosto bem próximo ao meu. Eu podia sentir o hálito quente, podia sentir nossa respiração se confundir, podia sentir o cheiro doce dela, enquanto nossos olhares se encaravam fixamente. Foi então que ela fechou seus olhos e pressionou seu lábios quentes contra os meus, tão macios. Então se afastou e disse:
"Independente de qualquer coisa, saiba que você é incrível e merece ser feliz." Ela se afastou enquanto afagava meu rosto e em seguida me beijava a testa.
Se afastou e deu um sorriso espremendo os lábios. Pegou sua bolsa e abriu a porta.
"Ei, obrigado!" Eu disse enquanto ela se afastava e olhava pra mim sorrindo. Então ela se virou e entrou.
Fiquei um tempo parado em frente ao prédio de Rita, pensando em tudo o que havia ocorrido esta noite. Peguei o celular e disquei o número de Ana.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Marco e Ana. (Parte 7) - De look novo.



"Não, não gostei. Que tal esse?!"
Lá vinha ela, já com um punhado de roupas nas mãos. Não acredito que deixei Rita me trazer para fazer compras. Dessa vez ela me entregou uma calça jeans clara, skinny, mas não tão justa.
"Ah, experimente esta aqui também!" Ela disse me entregando uma camisa preta, básica.
Entrei no provador novamente, sentindo como se fosse um projeto dela. Ah, claro, ela estava sentindo um enorme prazer em tudo aquilo.
"Que tal?"
Ela se aproximou, espremeu os lábios, apoiou a mão esquerda na cintura, segurou o queixou com a mão direita, olhou pra mim de cima abaixo minuciosamente, examinando cada detalhe e, confesso, isso me deixou tenso. Ela se aproximou, ergueu seus braços passando por cima de meus ombros, de encontro a gola da camisa e a ajeitou. Abriu mais um botão e dobrou as mangas.
"Uaul! Perfeito agora." A sua cara de satisfação e missão cumprida me fez sorrir sem que eu percebesse que estivesse fazendo.
Voltei ao provador para colocar minhas antigas roupas que não são tão ruins assim e fui até Rita.
"Vamos levar esse, esse... esse também. Ah, não se esqueça desse, mais esse..." E ela foi dizendo enquanto entregava pilhas de peças a vendedora que nos atendia.
Claro, vou pular a parte da conta monstruosa e ignorar o fato de Rita tentar me convencer de que gastar com roupas é um investimento, pensamento totalmente feminino. Também vou paular a parte de quase devolver todas as roupas a loja, mas lembrei do olhar de aprovação de Rita, que era tão sofisticada e dei meu cartão a vendedora.
"Agora vamos a segunda parte. Você tem horário marcado!"
Era impressionante como ela não escondia o olhar eufórico. Parecia que estava brincando de esquadrão da moda comigo.
Ela me levou até seu cabeleireiro, Stefan. Claro que este não deveria ser seu real nome, mas acredito que pelo estilo de vida e pela profissão ele achou conveniente adotar este pseudônimo.
Rita questionou se eu estava desconfortável pelo fato de Stefan ser gay, mas isso não me incomoda. O meu real desconforto era pensar no preço absurdo que eu pagaria por um corte de cabelo. Sim, eu cortava meu próprio cabelo e estava começando a perceber que grande parte do meu fracasso com o público feminino era devido ao meu espetacular corte de cabelo.
"Stefan, faça sua mágica. Quando voltar, quero surpreender meus olhos ao vê-lo novamente, Marco."
"Você vai me deixar só?"
"Não, estarei por perto. Não se preocupe, daqui a pouco eu volto e você está em boas mãos."
Ela sorriu, enquanto eu estava sentado em uma cadeira próxima a recepção, esperando o que as tesouras de Stefan aprontariam em meus cabelos, com um semblante não tão amigável. Então ela segurou meus ombros pelas costas e me beijou na bochecha. Isso me fez sorrir e não me preocupei em disfarçar como me fez bem.
Entretanto, ela se foi e eu precisava de uma mágica, pelo menos era o que ela pensava. Tudo bem, eu entendi que Rita estava tentando me ajudar, mas não era este tipo de ajuda que eu precisava. Talvez não a que eu precisasse, mas a que eu não queria. Não sou do tipo vaidoso, mas eu fazia o básico. Tomar banhos todos os dias, desodorantes, perfumes, malhava sempre e cuido bem da minha higiene pessoal. Não me visto tão mal assim, mas confesso que até gostei das novas roupas. Só o preço que não me agradou tanto.
"Pode me acompanhar por aqui? Fica tranquilo, eu não mordo... quando não me pedem. E sei que você não vai pedir." Disse Stefan, soltando uma gargalhada, enquanto caminhava a minha frente. Eu sorri amistosamente em resposta.
"Pode sentar aqui!" Então sentei em uma poltrona e ele ao meu lado.
"Então, você é chefe de Rita?" Ele começou puxar assunto, enquanto aguardávamos a assistente varrer o espaço dele.
"Mais ou menos."
"Mais ou menos? Pode explicar?"
"Ela é uma das assistentes da diretoria, mas não é a minha assistente. Cada diretor tem seu assistente direto, mas como o real chefe dela não a solicita muito, eu costumo roubá-la para mim."
"E você, não tem um assistente?"
"Por incrível que pareça não. Sou um dos únicos lá que dispensa assistentes."
"Até você conhecer a Rita, não é mesmo?!" Ele disse soltando uma risada sarcástica.
"Pois é. Gosto da forma como ela pensa." Sorri para ser educado, não gostei muito da insinuação.
"Vamos! Levante-se. Precisamos melhorar o tom deste seu cabelo."
Fui até a cadeira de Stefan. Ele tinha um espaço privativo no salão. Não tabalhava a vista como os demais cabeleireiros de lá. Depois Rita me contou que ele era um dos sócios do salão e o mais requisitado dali também. Conseguiu um horário de última hora pra mim por conta da amizade de anos que tinham.
"Fique quietinho aqui. Não fuja, eu já venho!"
Assenti com a cabeça. Fiquei ali sentado, olhando para aquele espelho enorme a minha frente. Aquele carrinho ao lado, cheio de assessórios, prendedores, escovas, pentes, secador, prancha e muitas outras coisas que eu desconhecia, e já estava feliz em poder discernir estes.
Foi então que meu celular vibrou e o peguei em meu bolso para ler a mensagem:
"Sinto sua falta. Me liga qualquer hora! Ana."
Meu coração se apertou, faziam alguns dias que eu não retornava as mensagens, emails e ligações dela. Não por mal, mas no começo porque havia decidido me afastar, depois porque estava com tantos projetos na empresa, que acabei consumindo todo meu tempo neles e me esqueci de dar um sinal de vida a ela. E como eu sentia falta de Ana. Por mais que a companhia de Rita me fizesse bem, não podia simplesmente deixar de lado meus sentimentos, embora soubesse que Ana jamais iria mudar a forma de me ver, somente um bom amigo.
"E você não fugiu. Que surpresa!" Disse Stefan se aproximando com luvas, um pincel e dois tubinhos.
"Até que sei me comportar." Dei um breve sorriso de canto para ser simpático.
"Bem, vamos mudar o tom desse cabelo, fazer de você um homem mais moderno!" Ele não disfarçava o tom excêntrico de seu comportamento, a empolgação em misturar aqueles cremes e logo começar espalhar com um pincel aquilo pelo meu cabelo. Não vou negar que dei boas risadas. Até que era engraçado.
"Mas então, quando não tinha Rita, você roubava o assistente de quem?"
"De ninguém."
"Hummmmm. Ela é encantadora, não é?! Ela gosta de um restaurante italiano que fica a duas quadras daqui."
"O que isso tem a ver com o assunto?"
"Ai, homens, tão lerdos." Disse ele com uma expressão de inconformismo."Escuta, querido, estou te dando uma dica. Depois que eu terminar, vai ser difícil uma mulher te rejeitar."
"Mas eu e Rita somos simplesmente amigos. Nada demais."
"Simplesmente amigos? Você acha que eu não senti as vibrações de vocês? Eu vi como você olha pra ela."
"Eu olho como olharia para qualquer outra moça."
"Qualquer outra moça em que você também estivesse interessado como está por ela. Dá pra perceber que você gosta dela."
"Acho que você está confundindo as coisas. Eu e Rita é algo sem probabilidade de acontecer, até porque eu..." Interrompi minha fala quando percebi que já estava a ponto de citar Ana na
conversa.
"Você o que? É casado?" Ele arqueou as sobrancelhas bem feitas, parou por um momento de pincelar aquele creme no meu cabelo e ficou me olhando com espanto.
"Não. Claro que não!"
"Que susto! Então qual é o problema?" Voltou a pincelar meu cabelo.
"Não há problema algum, mas estou te dizendo, somos apenas bons amigos de trabalho."
"Olha, não me engane, rapaz. Tenho sexto sentido pra essas coisas. Dá pra perceber que rola um clima entre vocês, mas você tem algo que o impede. Quer um conselho?"
"Um conselho?" Não tenho nada a perder. Já estava ali mesmo. "Diga!"
"Rita é uma mulher incrível. Ou você escolhe se quer ficar neste impasse que o impede e perde a oportunidade de estar com uma mulher exuberante, ou leva Rita pra jantar naquele restaurante que eu te disse." Este conselho veio acompanhado de uma piscadela.
Stefan até que me fez pensar bastante sobre a minha situação. Infelizmente eu ainda estava preso a estes sentimentos por Ana.
"Agora vamos esperar alguns minutinhos enquanto a tintura age. Quer uma bebida, Marco?"
"Não, Stefan. Obrigado." Ainda não acredito que permiti que alguém tingisse meu cabelo.
"Julieta, traz pra mim um chá, por favor!" Gritou Stefan para uma assistente.
"Certeza de que não quer nada?" Ele me olhou por baixo, com uma expressão interrogativa quase que insinuando que eu queria algo sim.
"Não, estou bem. De verdade. Obrigado." Sorri cordialmente.
Conversamos sobre uma série de coisas. Stefan arranjava tantas perguntas quantas eram possíveis. Contei dos meus tempos de ator. O que me fez lembrar muito Ana. Fiz o máximo para evitar citá-la.
Ele lavou meus cabelos, colocou aquele avental de plástico sobre mim abotoando em meu pescoço. Pegou uma das tesouras que tinha em uma espécie de cinto, carregava nele algumas tesouras, um pente e alguns prendedores. Então começou a cortar meu cabelo.
Enquanto isso conversávamos e ríamos. Ele era realmente divertido. Dizia coisas inusitadas, enquanto me convencia de que eu deveria ir aquele restaurante italiano com Rita.
Ele me virou de costas para o espelho, pegou o secador e começou a passar a mão em meu cabelo como se estivesse contribuindo com o vento do secador para me despentear. Quando meu cabelo estava totalmente seco, usou uma espécie de pomada capilar, ajeitando meu cabelo com os dedos, enquanto olhava para mim concentrado, arqueando uma das sobrancelhas e apertando os lábios.
"Voilá!" Ele disse satisfeito, virando a cadeira para que eu me olhasse no espelho.
"Sou eu mesmo?" Disse ironicamente me olhando espantado no espelho.
"Marco, meu querido, você só precisava ser lapidado. Agora desfrute dos benefícios de uma boa aparência."
"Pelo valor que terei de pagar, precisa haver muitos benefícios mesmo."Ri sarcasticamente após meu comentário.
"Pagar? Nada disso. Isto é um presente para minha amiga. Você é um rapaz decente. Rita precisa de alguém como você por perto. Já cansei de vê-la com idiotas por aí."
"Stefan, não precisa. Eu posso pagar, sou só meio muquirana."
"Não, eu insisto. Me sentirei ofendido se você não aceitar. A proxíma você vai pagar, fique tranquilo." Ele sorriu, olhando para mim satisfeito, com os braços cruzados.
"Não sei se vai haver proxíma vez. Sabe que eu não sou muito disso."
"Acredite, você vai voltar! Você vai gostar de ouvir o que as mulheres tem a dizer agora sobre você."
"Marco?! É você?!" Disse Rita espantada ao me ver.

domingo, 2 de outubro de 2011

Marco e Ana. (Parte 6)

"Ana"

'Essa sou eu, alguns anos atrás. Dia chuvoso. Estávamos dentro de um carro.
Não entendo porque todos os meus relacionamentos com ótimas possibilidades de sucesso fracassam. É como se eu sabotasse aquilo de bom que me acontece.
Tivemos uma discussão, até que não tão longa. Sabe, e eu gosto desse cara, mas não gosto da maneira como devo gostar dentro de um relacionamento. Não consigo desenvolver um sentimento maior.
Então eu abri o meu coração naquela franca conversa. Choramos, ambos. Afinal, já éramos amigos de longa data.
Depois de um tempo conheço o Pedro. Sim, dele eu gostava como se deve gostar dentro de um relacionamento, penso eu. Fracasso novamente.
Começo me perguntar o que há de errado.
Meu melhor amigo, o Marco, é quem sempre me ajuda. Quem sempre me ouve.
No dia do término do meu namoro com o Pedro, sim, era ele quem estava lá. Então eu senti algo estranhamente diferente no abraço dele. No toque. Era como se irradiasse uma discreta corrente elétrica por todo meu corpo. Uaul! Como aquilo era bom.
O estranho é que parecia que o Marco nunca mais iria voltar depois daquele abraço.
Eu sempre senti que ele gostava de mim, além da conta pra uma amizade. Também sei que ele sempre entendeu como eu me posicionava sobre nós sem que tivesse que dizer algo. Ambos sabíamos só de nos olharmos. Sabíamos muito um sobre o outro.
Ríamos das mesmas piadas, gostávamos das mesmas músicas, tínhamos o mesmo prato predileto, gostávamos estranhamente de ver como a água da chuva escorre pelas janelas, ficávamos ouvindo músicas juntos durante o expediente, trocávamos mensagens de texto e conversávamos sobre praticamente tudo. Quando eu ou ele estávamos deprimidos íamos jogar sinuca, ou ficávamos dentro do carro cantando músicas que gostávamos em voz alta, enquanto nos enchíamos de chocolates, sorvetes ou pizzas.
Deixe-me contar como nos conhecemos.
Nós tínhamos amigos em comum. Ambos somos atores. Claro, Marco deixou de lado a carreira.
Eu não. Embora seja graduada em artes cênicas e esteja concluindo o curso de economia. Só não larguei a carreira como Marco porque trabalho junto com meu pai, sendo assim, eu tenho mais flexibilidade pra deixar os negócios de família um pouco de lado e atuar. Não que eu queira herdar a empresa e prosseguir com o trabalho, acredito que meu irmão mais velho vá fazer isso, embora eu passe mais tempo trabalhando com meu pai do que ele.
Enfim, nos conhecemos pelos nossos amigos em comum. Temos um amigo roteirista, o Renato, ele nos convidou para a estréia de uma das peças que ele escreveu. Depois saímos juntos com o elenco, mais alguns amigos e agregados. Foi então que entre brincadeiras, conversas aleatórias, risadas, um rapaz, digamos peculiar, se aproximou. Cabelo castanho claro, desengrenhado e mal penteado, não era tão alto, mas era mais alto do que eu, sem dúvida. Tinha um sorriso bonito, grandes bochechas, pele clara, olhos castanho claro também, usava uma camiseta azul marinho, jeans básico e um adidas sl 72 preto.
Era meio desajeitado, mas eu acredito que naquele dia foi pela timidez inicial, mas ele procurou se mostrar tremendamente cavalheiro.
Depois de lá nunca mais paramos de nos falar até agora, pois desde o último dia em que nos vimos ele não me retornou mais.
Não sei o que fazer, só sei que sinto a falta dele de um jeito que eu não imaginava que poderia sentir. Espero que não seja tarde.'