quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ana e Marco. (Parte 4)







-Tudo vai ficar bem. Eu prometo.
Era tudo o que Marco conseguia dizer a Ana enquanto a consolava em seu abraço.
-Por que eu não consigo deixar de gostar dele? Eu... Eu... Já me cansei de tudo isso!
Foi então que Marco percebeu que não era mais do que um amigo. Ele já sabia, mas nessa hora foi como se ele tivesse um lapso de lucidez, pois percebeu o quanto se importava com ela, o quanto a queria, mas nunca iria ter nada mais do que isso que já tinham.
-Ana, um dia você vai conhecer alguém que vai te fazer esquecer todas as suas frustrações amorosas. Um cara que não vai te desapontar e vai ser tão bom com você, que toda vez que se lembrar dele você vai sorrir. Alguém que se importa de verdade, alguém que vai te amar e isso nunca irá mudar.
Ela ergueu o rosto para Marco, o fitou surpresa pelo que acabará de dizer. Ele a encarou gentilmente de volta. Afagou seu rosto com delicadeza. Beijou sua testa, suspirou em um tom quase que melancólico. Desatou-se dos braços dela e desceu as escadas. Saiu da casa de Ana, foi até seu carro. Abriu a porta e antes de entrar, olhou para janela do quarto, onde ela estava olhando para ele sem entender muito bem o clima diferente que preencheu os minutos em que estiveram juntos.
Marco ficou ali alguns segundos e logo abaixou a cabeça e entrou em seu carro.
Ana acompanhou ele se afastar, até que virasse a esquina e ela não o visse mais.
Ele havia esquecido de como a irreciprocidade doía e tomou aquele momento como uma despedida. Passou a se concentrar em outras atividades, nas coisas que o faziam bem.

No dia seguinte, ao chegar ao escritório, entre todos aqueles cumprimentos matinais tão rotineiros, foi para o saguão do prédio esperar o elevador. Marco estava tão entrertido com seus pensamentos que não notou quem havia se aproximado.
-Você não se incomoda se pegarmos o mesmo elevador, não é mesmo?
-Ei! Rita!
Ele sorriu.
-Vai ser um prazer, contanto que não role aquele silêncio constragedor entre nós.
-Acho difícil. Pelo menos da última vez em que estivemos juntos não houveram pausas na conversa.
O elevador parou no andar em que aguardavam e Marco, como um bom cavalheiro, deixou Rita entrar na frente e foi em seguida.
-Então, agora trabalhamos no mesmo andar já que você foi promovida.
-Sim, agora você vai ter que me aguentar todos os dias.
-Ah, isso é realmente desagradável.
-Ei, cuidado comigo! - Rita deu um leve tapa no ombro de Marco enquanto sorriam um para o outro.
-Se você for menos agressiva comigo, talvez possamos almoçar juntos. Que tal?
Marco ficou surpreso consigo mesmo. Fazendo convites tão espontaneamente para um almoço, com uma mulher que havia acabado de conhecer. Isso era novidade.
-Okay. Prometo controlar meus impulsos assassinos.
Ambos desceram do elevador sorrindo, como se fossem antigos conhecidos.
-Não esqueça do meu almoço. - Disse Rita enquanto se dirigia à sua mesa.
-Deixa comigo.

[continua]

domingo, 18 de setembro de 2011

Ana e Marco. (Parte 3) - Abraço.


"Nós não podemos começar a viver que elas voltam." - Lucas Diogenes

"Ana"

O começo do namoro de Ana, como todo começo de namoro, era extasiante. Seu namorado, Pedro, era tudo em que ela pensava. Não tudo, mas na maior parte do tempo.
Como toda garota apaixonada, Ana não conseguia disfarçar a ansiedade por receber alguma notícia, alguma mensagem, algum e-mail, algum recado, alguma ligação, qualquer sinal de vida de Pedro. Claro que ela gostaria que isso viesse acompanhado de algum mimo.
Infelizmente, nessa história, alguns inconvenientes surgiram.

Ah, Pedro. Fazia Ana de tola. O pior era que ela sabia. Pior ainda era saber e ignorar. Pior do que estas duas coisas eram suas utópicas verdades e subterfúgios, tão convictos, para anestesiar, talvez, a dor causada pela real verdade de toda situação.

Como dizem: Não há nada ruim que não possa piorar.
Sim, Ana aprendeu isso da forma mais desagradável.

A verdade era que Pedro não fazia muita questão de Ana. Sim, a princípio ele gostava dela. O grande problema de tudo era a irreciprocidade. A falta de sintonia. Era como se Ana estivesse em uma frequência sentimental e ele em outra.

Ela tentou com todas as forças não acreditar que não era correspondida a altura. Tentou acreditar que não havia nada de errado com Pedro. Foram tantas omissões e negações que a situação saiu fora de controle.

Inegavelmente incomodada, resolveu conversar com Pedro sobre a situação.

- Não estamos bem.
- Você quer terminar?
Pedro disse tão naturalmente, que deu a impressão de que ele não iria lutar por ela. Ele não iria ao menos tentar.
Ana mal podia acreditar no que ouvirá, mas, por outro lado, não era tão surpreendente. Ela sentia a indiferença dele. É, graças a essa sensibilidade feminina que a faz saber se alguém está interessado nela, ou em qualquer outra, exceto ela. Percepção esta que Ana gostaria que se ausentasse em determinadas situações.
- Essa é a sua solução? Então, você também não está feliz.
- Eu sei que as coisas não estão bem entre nós, Ana. O problema é que estou enfrentando uma fase difícil.

Fase difícil: Desculpa que os homens usam para explicar seu desinteresse em uma relação.

- Pedro, eu estou aqui para te apoiar. Ajudar no que for preciso. Você sabe que pode compartilhar as coisas comigo. Por que não faz?
- Você não precisa saber dos meus problemas.
- Não preciso? Então não vou te importunar com os meus, já que esse é seu pensamento. Achei que um relacionamento servia pra compartilharmos qualquer tipo de coisa.
- Ah! - bufou, Pedro - Agora você vai começar com estas cobranças. Eu realmente não acho que esteja em débito com você. Não sou ruim pra você. Faço tudo que está dentro das minhas possibilidades pra este relacionamento dar certo.
- Dentro das suas possibilidades? Então até mesmo uma ligação está fora das suas possibilidades, porque nem isso você faz!
- Nossa, quando você quer me irritar você consegue.
- Vim conversar com você, Pedro. Infelizmente, você conseguiu transformar isto em uma discussão.
- Então, Ana, viva sua vida! Eu vou seguir com a minha, pois eu estava muito bem até você vir com essas insinuações de que eu sou o responsável por estarmos enfrentando uma suposta crise.

Ana não podia acreditar no que ele estava dizendo. Era totalmente inadmissível. Ela não pode conter as lágrimas que rapidamente transbordaram em seus olhos e deslizaram sobre seu rosto.

- Você tem noção do que está dizendo, seu insano? Eu não coloquei a culpa do insucesso do que estamos vivendo em você. Eu vim buscar uma solução! Você só usou isso como pretexto pra um desfecho. Você é um... um... Idiota, Pedro!

Ela desceu do carro. Bateu a porta com toda força que pode, para expressar sua raiva.
Raiva! Era esse sentimento que gritava mais alto dentro de Ana. Ela queria bater em Pedro, queria fazê-lo infeliz. Queria fazê-lo sentir sua dor. Mas ela sabia que tudo isso era errado e não melhoraria as coisas pra ela.

Após surrar alguns travesseiros, chorar e extravasar sua raiva nos objetos inocentes que encontrou pelo caminho, jogou-se na cama, ainda chorando e não pensou, simplesmente ligou para Marco.

Ana sabia que Marco gostava dela, mas também sabia que ele entendia que o único interesse dela era ter sua amizade.

Marco atendeu prontamente, como sempre.

- Ana!
- Marco, tudo bem?
- Sim! O que foi? Por que você está chorando?
- Acabou.
- Sério, Ana? Eu sinto muito. Eu vou até aí.
- Não precisa se incomodar. Eu só queria ouvir a voz de um amigo.
- Aposto que você precisa de um abraço amigo também.
- Marco, não vou dizer que não preciso, mas acho injusto fazer você sair de onde quer que você esteja pra vir até aqui.
- Amigos são pra todas as horas. Em 20 minutos estou aí.

Ana se perguntava como Marco podia ser tão bom com ela? Ela não sentia que merecia o carinho dele. Não entendia como ele gostava tanto assim dela, mesmo depois de se distanciar por conta do namoro.

Marco chegou a casa dela. A mãe de Ana o recebeu. Marco entrou, subiu as escadas até o quarto de Ana.
Vê-la foi como se sentir arrastado por um turbilhão de ondas de sentimentos que vinham a tona. Mesmo com olhos inchados, mesmo com os cabelos não tão penteados, a beleza de Ana ainda encantava Marco.

Ele ficou paralisado ao olhar para ela. Lembrou de como foi difícil lidar com a dor de vê-la com outro. Ao mesmo tempo sentiu raiva por alguém ter tido coragem de deixá-la nesse estado. Sinceramente, ele não sabia se deveria abraçá-la, mas não houve tempo de decidir.

Ao vê-lo, Ana lançou-se em seu peito, passando os braços por cima de seus ombros e acabando-se em lágrimas.

Marco hesitou, por um momento, mas o calor de Ana contra seu corpo não deixou que seus braços ficassem imóveis por muito tempo. Então ele logo a envolveu em seu afetuoso abraço.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ana e Marco. (Parte 2)


Os dias foram passando. O sentimento de Ana pelo namorado cresceu. Quando eu digo cresceu, quero dizer que realmente cresceu, entende? Talvez tenha até fugido um pouco ao seu controle, mas ela se entregou totalmente ao novo.

Marco, pobre Marco. Decidiu esquecer Ana de vez. De uma vez por todas. Mas não era simples afastar-se assim, apesar de que Ana já não dava ao amigo a mesma atenção.

Ele pensou que se sumisse por um tempo, talvez ela não desse falta. Embora ela não mantesse contato com a mesma frequência, não havia esquecido Marco, afinal, a amizade entre os dois era sincera.

Marco começou evitar muitas das coisas que o lembravam dela. Começou parar de ligar, mas nunca deixou de atender ou responder as ligações e mensagens de Ana.

Até que um dia, um dia que deveria ser como qualquer outro, em mais uma reunião, que naquele dia parecia estar em níveis elevados de monotonia, uma moça diferente sentou ao lado dele.
Ele não deu muita atenção a princípio, até que ela sorriu para ele. Foi então que algumas coisas começaram a mudar.

Marco fez alguma piada sobre o tema que era abordado. Ela concordou e riu. Foi então que surgiu uma série de sátiras sobre a reunião.

- A propósito, meu nome é Rita.
Disse ela ao término da reunião, quando todos dispersos se espreguiçavam e sorriam. Aliviados da tensão que a sala continha.
- Marco. - Sorriu ele enquanto respondia e estendia a mão para se cumprimentarem.
Foi então que alguns colegas de Marco os cercaram, e ele os foi apresentando a Rita.
- Você é nova aqui, certo? - Disse Joana, uma das colegas de Marco.
-Na verdade não, já estou aqui faz algum tempo, mas é a primeira reunião a qual eu sou chamada.
- Ah, meus parabéns! Seja bem-vinda! Que tal um coffee-break, pessoal?
Marco sorriu, fitou Rita um tanto animado e respondeu:
- Eu topo!

Então todos se juntaram aos três e foram, exceto alguns que tinham tarefas inadiáveis para entregar, mas isso não vem ao caso.

Marco se divertiu com Rita. Ela era linda, engraçada e tinha boas histórias.

Saíram dali e continuaram caminhando, compartilhando fatos interessantes de suas vidas.
Ele se sentiu totalmente cativado por ela.

Chegou a hora da despedida, de um dia que ele realmente não queria que terminasse.
Até que o celular de Marco tocou. Era Ana, aos prantos precisando dele.

[continua]

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ana e Marco.


Essa é só mais uma história interessante que eu ouvi e gostaria de compartilhar.

Ana, uma garota peculiar, extraordinária a sua maneira, como qualquer outra garota sonhadora e secretamente romântica, não melosa, romântica. Estimava por demais sua família. Conhecia muita gente, mas sabia que os amigos verdadeiros eram poucos.

Marco era um rapaz extremamente tranquilo e atencioso. Apegado aos irmãos, assim como Ana, apreciava muito sua família. Demonstrava preocupação e interesse pelos problemas dos amigos. Era bastante procurado para aconselhamentos e afins, era quase um terapeuta. Excelente ouvinte.

Essa é a história de como os dois se conheceram.

Ana, como sempre, espevitada, serelepe e alegre entre amigos. Falante e para Marco, encantadora a princípio. Sim, Ana era bonita e acredite, nunca se achou tão bela assim, apesar de chamar atenção dos rapazes.

Foi entre amigos que os dois se acharam, apesar de Ana não dar a mínima para Marco. A parte mais interessante da história é como o amor surgiu entre os dois.

Obviamente, Marco logo de início viu em Ana tudo o que ele gostaria de ter em alguém. Era difícil ele negar isto, principalmente pela forma como olhava para ela, quase hipnotizado, tentando disfarçar o que não podia se esconder.

Marco era um belo rapaz, embora tivesse aquele cabelo desengrenhado de propósito, muito mal penteado, que não colaborava muito com a primeira impressão, ou incentivava a curiosidade de qualquer garota acerca dele.

Você pode pensar que é clichê. Por que sempre o cara que se apaixona primeiro por uma garota que o esnoba e nem demonstra interesse por ele?

A verdade é que não foi por beleza que Marco se encantou por Ana. Foi pelo que ele descobriu dela. Na verdade, se fosse simplesmente pela aparência, ele não teria se aproximado dela.
Marco era alguém muito mais profundo do que isso.

Entre toda aquela gente que falava e ria, entre toda aquela bagunça gostosa que há entre amigos reunidos, Marco encontrou uma oportunidade de falar com Ana.

Ana não despreza uma boa conversa. No entanto, ela sentiu um tanto de aversão quando Marco se aproximou. Não a julgue por isso também, mas seu pensamento foi 'lá vem mais um nerd'. Ana atraia nerds. Afinal, ela gostava de coisas que os interessam.

Então, Ana teve uma grande surpresa, Marco era gentil e incrivelmente divertido. O que a fez conversar com ele praticamente a noite toda.

Marco saiu cheio de esperanças de revê-la e sim, de que, incrivelmente, Ana tivesse se interessado por ele e um romance surgiria.

Ah, pobre Marco. Ainda não foi dessa vez.
Na verdade Ana era muito mais complicada do que ele podia imaginar. Cheia de dilemas amorosos.

Marco ingênuo pelo sentimento, resolveu que iria conquistá-la. Os dois se falavam praticamente todos os dias. Ana feliz por encontrar um amigo. Marco feliz por pensar encontrar muito mais do que uma amiga.

Eles pensavam semelhante, compartilhavam praticamente os mesmos gostos, não tudo, mas na maioria das coisas eles combinavam.

Até que Ana se apaixonou. Não, não foi pelo Marco. Ele ainda usava aquele corte de cabelo, sabe?
Não era ruim assim. Na verdade era até charmoso. Ou não, enfim. Ana não gostava muito. Mas nunca viu Marco com olhos além de amizade.

Ela se apaixonou e começou a namorar. Isso partiu o coração de Marco, que há algum tempo já não sabia como coisas assim machucavam.

Enfim, o que ele podia fazer? Ele nunca teve coragem de se declarar. Ele tinha o mesmo medo de Ana. Medo de rejeição e irreciprocidade. Por isso preferiu não arriscar, e levar consigo simplesmente o melhor que pode ter com ela, uma relação de amigos.

Ele decidiu se afastar. Machucava vê-la com outro.
Embora ele não tenha conseguido se afastar totalmente, afinal ela o procurava constantemente, o sentimento de Marco foi se tornando ameno. Até conseguir equilibrá-lo no mesmo patamar. Pelo menos foi no que ele acreditava.

[continua]

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O que não deveria ser dito. ProntoFalei.


Se eu parar e olhar fixamente pra você, será que consigo desvendar alguns dos sussurros dos seus pensamentos?

Revele seu grito contido. O desejo escondido. O olhar nítido, tímido. O palpitar sufocado, disparado, agoniado.

O calafrio que percorre a espinha, as borboletas que que voam pela barriga.
O distante que se aproxima. A suave inclinação. A respiração que se confunde. O calor que se soma. Os lábios que se envolvem. As mãos que trazem perto, as mesmas que apertam. Braços que embalam, acomodam e entrelaçam os corpos.

Do sútil toque não premeditado, de imediato que arrepia, ao esclarecimento de que nunca chegamos a tal. Foi tudo vontade, desejo, saudade de viver o que jamais se viu acontecer.

Amar na contra-mão. Sentir o avesso do coração. Querer correr por um lado e caminhar ao contrário.

Não saber se os devaneios são reais, se a mente engana, se o viés do coração distorce a visão, mas saber querer com tal intensidade de que chegue o tal momento, o momento de amar-te.

sábado, 13 de agosto de 2011

Recordando


Outro dia estava procurando pelo carregador do meu computador dentro do meu guarda roupa, quando me deparei com uma caixa empoeirada e surrada.
Soprei a poeira, o que aguçou um tanto minha renite, mas mesmo assim abri a caixa. Foi então que me deparei com uma infinidade de lembranças.
As recordações de infância vieram em cheio com todas aquelas fotos antigas, aqueles visuais retrô, nossa simplicidade e despreocupação. Isso me fez perceber que a felicidade não requer tanto.

Lembro que eu tinha medo do mar. Chorava só de pensar em entrar dentro daquela imensidão de água. Coisa de criança.
Tinha medo do zoológico por conta de uma fantasia boba de que eu poderia cair dentro da jaula de algum animal. Tinha medo principalmente da parte onde ficam as aves. Quando entrávamos naquela parte do parque eu me sentia em um filme de terror. Todas aquelas árvores que bloqueavam a passagem dos raios do sol tornando o ambiente escuro, com um clima tenebroso. É assim que me recordo desse lugar na minha ótica infantil.

Claro, com o tempo eu cresci e as coisas que me assombram também mudaram.

Lembro do meu pai. Nossa, meu pai era demais. Ele nunca se recusou a contar uma história. Cantava uma música pra gente com aquele tom grave quantas vezes pedíssemos. Todo domingo, era lei, ele nos levava ao parque enquanto minha mãe preparava o almoço. Jogávamos bola, assistíamos desenhos, fazíamos cócegas, ele deixava eu pentear os cabelos dele enquanto assistia aos jogos do São Paulo, nos ajudava com nossos deveres e claro, a parte que eu menos gostava, as broncas merecidas por conta das traquinagens.

Lembro das comidas gostosas que minha mãe fazia, e hoje já não faz mais com a mesma frequência. De acordar as 4 da manhã com o rádio relógio dela despertanto com "o pulo do gato... miau". Da insistência dela pra que eu colocasse aquele vestidinho justinho que eu detestava, da mamadeira durante a madrugada, do colo na hora do choro e do cuidado extremo.

Lembro de não conhecer toda maldade que tenho ciência hoje.
Como era bom correr, sentir o vento, livre de preocupações e responsabilidades, tendo pessoas que zelavam por mim e me protegeram ao máximo do mal que não queriam que eu descobrisse, mas que com o tempo seria inevitável não desvendá-lo, pois acabei descobrindo muita coisa, amargamente, por conta própria.

Lembro dos meus primos, dos meus tios, dos meus amigos, do primeiro beijo, das cartas, das viagens e tantas outras coisas que agente leva na bagagem.
Lembro da minha falecida vó, Dona Gildete, ou Vó Ziza, como a chamávamos quando éramos crianças. Lembro dela especificamente na casa da minha bisa, tão divertida, contando um porção de histórias, que acredite, quase me fizeram fazer xixi nas calças. Muito do meu pai me lembra ela.

Dedico à memória dela esta postagem. Sei que um dia poderemos nos ver novamente.

Faça com que a memória de cada dia valha a pena para ser disseminada com ternura, gerando esperança, para que os filhos dos nossos filhos saibam que a felicidade não está naquilo que se possa obter, mas naquilo que somos em essência. Aquilo que fará sempre parte de nós sem jamais depreciar.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Confissão.


Confesso que já quiz de você mais do que simplesmente um abraço de amigo.
Confesso, tive curiosidade de saber como seria andar de mãos dadas com você por aí.
Confesso que já quiz saber como seria mover meus lábios gentilmente contra os teus, descobrir seu hálito e me acomodar no calor do seu corpo junto ao meu.
Confesso que as vezes parece que o vento trás o teu cheiro até mim, então suas memórias me perseguem e sutilmente eu sorrio pra você, sem que você saiba. Sem que você desconfie.
Confesso que já quiz escrever canções pra você, que já quiz dizer algo, fazer você saber desse dilema.
Confesso que já parei pra te olhar de longe. Confesso que fingi desviando o olhar quando seu olhar me encarava de volta.
Confesso que talvez tenha sido meio covarde. Não sei porquê às vezes é difícil dizer 'eu gosto de você'.
Confesso que não sei o 'porquê', mas tinha que te dizer mesmo que você não saiba que é pra você.
Talvez você leia e pense 'será'?
Vou deixar subentendido, sei que no fundo você deve saber.

Agora eu vejo você de longe. Levei meus passos pra outro lado, nunca enxerguei a possibilidade de caminharmos juntos. Vivia no contexto da dúvida. Espero que você entenda que tive de trocar isso por uma convicção e conseguir desfrutar de um sentimento pleno livre das incertezas de reciprocidade.

Tenho convergido as batidas do meu coração favoravelmente a outro alguém que me faz bem.