terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ana e Marco.


Essa é só mais uma história interessante que eu ouvi e gostaria de compartilhar.

Ana, uma garota peculiar, extraordinária a sua maneira, como qualquer outra garota sonhadora e secretamente romântica, não melosa, romântica. Estimava por demais sua família. Conhecia muita gente, mas sabia que os amigos verdadeiros eram poucos.

Marco era um rapaz extremamente tranquilo e atencioso. Apegado aos irmãos, assim como Ana, apreciava muito sua família. Demonstrava preocupação e interesse pelos problemas dos amigos. Era bastante procurado para aconselhamentos e afins, era quase um terapeuta. Excelente ouvinte.

Essa é a história de como os dois se conheceram.

Ana, como sempre, espevitada, serelepe e alegre entre amigos. Falante e para Marco, encantadora a princípio. Sim, Ana era bonita e acredite, nunca se achou tão bela assim, apesar de chamar atenção dos rapazes.

Foi entre amigos que os dois se acharam, apesar de Ana não dar a mínima para Marco. A parte mais interessante da história é como o amor surgiu entre os dois.

Obviamente, Marco logo de início viu em Ana tudo o que ele gostaria de ter em alguém. Era difícil ele negar isto, principalmente pela forma como olhava para ela, quase hipnotizado, tentando disfarçar o que não podia se esconder.

Marco era um belo rapaz, embora tivesse aquele cabelo desengrenhado de propósito, muito mal penteado, que não colaborava muito com a primeira impressão, ou incentivava a curiosidade de qualquer garota acerca dele.

Você pode pensar que é clichê. Por que sempre o cara que se apaixona primeiro por uma garota que o esnoba e nem demonstra interesse por ele?

A verdade é que não foi por beleza que Marco se encantou por Ana. Foi pelo que ele descobriu dela. Na verdade, se fosse simplesmente pela aparência, ele não teria se aproximado dela.
Marco era alguém muito mais profundo do que isso.

Entre toda aquela gente que falava e ria, entre toda aquela bagunça gostosa que há entre amigos reunidos, Marco encontrou uma oportunidade de falar com Ana.

Ana não despreza uma boa conversa. No entanto, ela sentiu um tanto de aversão quando Marco se aproximou. Não a julgue por isso também, mas seu pensamento foi 'lá vem mais um nerd'. Ana atraia nerds. Afinal, ela gostava de coisas que os interessam.

Então, Ana teve uma grande surpresa, Marco era gentil e incrivelmente divertido. O que a fez conversar com ele praticamente a noite toda.

Marco saiu cheio de esperanças de revê-la e sim, de que, incrivelmente, Ana tivesse se interessado por ele e um romance surgiria.

Ah, pobre Marco. Ainda não foi dessa vez.
Na verdade Ana era muito mais complicada do que ele podia imaginar. Cheia de dilemas amorosos.

Marco ingênuo pelo sentimento, resolveu que iria conquistá-la. Os dois se falavam praticamente todos os dias. Ana feliz por encontrar um amigo. Marco feliz por pensar encontrar muito mais do que uma amiga.

Eles pensavam semelhante, compartilhavam praticamente os mesmos gostos, não tudo, mas na maioria das coisas eles combinavam.

Até que Ana se apaixonou. Não, não foi pelo Marco. Ele ainda usava aquele corte de cabelo, sabe?
Não era ruim assim. Na verdade era até charmoso. Ou não, enfim. Ana não gostava muito. Mas nunca viu Marco com olhos além de amizade.

Ela se apaixonou e começou a namorar. Isso partiu o coração de Marco, que há algum tempo já não sabia como coisas assim machucavam.

Enfim, o que ele podia fazer? Ele nunca teve coragem de se declarar. Ele tinha o mesmo medo de Ana. Medo de rejeição e irreciprocidade. Por isso preferiu não arriscar, e levar consigo simplesmente o melhor que pode ter com ela, uma relação de amigos.

Ele decidiu se afastar. Machucava vê-la com outro.
Embora ele não tenha conseguido se afastar totalmente, afinal ela o procurava constantemente, o sentimento de Marco foi se tornando ameno. Até conseguir equilibrá-lo no mesmo patamar. Pelo menos foi no que ele acreditava.

[continua]

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O que não deveria ser dito. ProntoFalei.


Se eu parar e olhar fixamente pra você, será que consigo desvendar alguns dos sussurros dos seus pensamentos?

Revele seu grito contido. O desejo escondido. O olhar nítido, tímido. O palpitar sufocado, disparado, agoniado.

O calafrio que percorre a espinha, as borboletas que que voam pela barriga.
O distante que se aproxima. A suave inclinação. A respiração que se confunde. O calor que se soma. Os lábios que se envolvem. As mãos que trazem perto, as mesmas que apertam. Braços que embalam, acomodam e entrelaçam os corpos.

Do sútil toque não premeditado, de imediato que arrepia, ao esclarecimento de que nunca chegamos a tal. Foi tudo vontade, desejo, saudade de viver o que jamais se viu acontecer.

Amar na contra-mão. Sentir o avesso do coração. Querer correr por um lado e caminhar ao contrário.

Não saber se os devaneios são reais, se a mente engana, se o viés do coração distorce a visão, mas saber querer com tal intensidade de que chegue o tal momento, o momento de amar-te.

sábado, 13 de agosto de 2011

Recordando


Outro dia estava procurando pelo carregador do meu computador dentro do meu guarda roupa, quando me deparei com uma caixa empoeirada e surrada.
Soprei a poeira, o que aguçou um tanto minha renite, mas mesmo assim abri a caixa. Foi então que me deparei com uma infinidade de lembranças.
As recordações de infância vieram em cheio com todas aquelas fotos antigas, aqueles visuais retrô, nossa simplicidade e despreocupação. Isso me fez perceber que a felicidade não requer tanto.

Lembro que eu tinha medo do mar. Chorava só de pensar em entrar dentro daquela imensidão de água. Coisa de criança.
Tinha medo do zoológico por conta de uma fantasia boba de que eu poderia cair dentro da jaula de algum animal. Tinha medo principalmente da parte onde ficam as aves. Quando entrávamos naquela parte do parque eu me sentia em um filme de terror. Todas aquelas árvores que bloqueavam a passagem dos raios do sol tornando o ambiente escuro, com um clima tenebroso. É assim que me recordo desse lugar na minha ótica infantil.

Claro, com o tempo eu cresci e as coisas que me assombram também mudaram.

Lembro do meu pai. Nossa, meu pai era demais. Ele nunca se recusou a contar uma história. Cantava uma música pra gente com aquele tom grave quantas vezes pedíssemos. Todo domingo, era lei, ele nos levava ao parque enquanto minha mãe preparava o almoço. Jogávamos bola, assistíamos desenhos, fazíamos cócegas, ele deixava eu pentear os cabelos dele enquanto assistia aos jogos do São Paulo, nos ajudava com nossos deveres e claro, a parte que eu menos gostava, as broncas merecidas por conta das traquinagens.

Lembro das comidas gostosas que minha mãe fazia, e hoje já não faz mais com a mesma frequência. De acordar as 4 da manhã com o rádio relógio dela despertanto com "o pulo do gato... miau". Da insistência dela pra que eu colocasse aquele vestidinho justinho que eu detestava, da mamadeira durante a madrugada, do colo na hora do choro e do cuidado extremo.

Lembro de não conhecer toda maldade que tenho ciência hoje.
Como era bom correr, sentir o vento, livre de preocupações e responsabilidades, tendo pessoas que zelavam por mim e me protegeram ao máximo do mal que não queriam que eu descobrisse, mas que com o tempo seria inevitável não desvendá-lo, pois acabei descobrindo muita coisa, amargamente, por conta própria.

Lembro dos meus primos, dos meus tios, dos meus amigos, do primeiro beijo, das cartas, das viagens e tantas outras coisas que agente leva na bagagem.
Lembro da minha falecida vó, Dona Gildete, ou Vó Ziza, como a chamávamos quando éramos crianças. Lembro dela especificamente na casa da minha bisa, tão divertida, contando um porção de histórias, que acredite, quase me fizeram fazer xixi nas calças. Muito do meu pai me lembra ela.

Dedico à memória dela esta postagem. Sei que um dia poderemos nos ver novamente.

Faça com que a memória de cada dia valha a pena para ser disseminada com ternura, gerando esperança, para que os filhos dos nossos filhos saibam que a felicidade não está naquilo que se possa obter, mas naquilo que somos em essência. Aquilo que fará sempre parte de nós sem jamais depreciar.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Confissão.


Confesso que já quiz de você mais do que simplesmente um abraço de amigo.
Confesso, tive curiosidade de saber como seria andar de mãos dadas com você por aí.
Confesso que já quiz saber como seria mover meus lábios gentilmente contra os teus, descobrir seu hálito e me acomodar no calor do seu corpo junto ao meu.
Confesso que as vezes parece que o vento trás o teu cheiro até mim, então suas memórias me perseguem e sutilmente eu sorrio pra você, sem que você saiba. Sem que você desconfie.
Confesso que já quiz escrever canções pra você, que já quiz dizer algo, fazer você saber desse dilema.
Confesso que já parei pra te olhar de longe. Confesso que fingi desviando o olhar quando seu olhar me encarava de volta.
Confesso que talvez tenha sido meio covarde. Não sei porquê às vezes é difícil dizer 'eu gosto de você'.
Confesso que não sei o 'porquê', mas tinha que te dizer mesmo que você não saiba que é pra você.
Talvez você leia e pense 'será'?
Vou deixar subentendido, sei que no fundo você deve saber.

Agora eu vejo você de longe. Levei meus passos pra outro lado, nunca enxerguei a possibilidade de caminharmos juntos. Vivia no contexto da dúvida. Espero que você entenda que tive de trocar isso por uma convicção e conseguir desfrutar de um sentimento pleno livre das incertezas de reciprocidade.

Tenho convergido as batidas do meu coração favoravelmente a outro alguém que me faz bem.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Distância.

Aquele espaço percorrido pra alcançar aquilo que se quer, para chegar onde se quer estar, para encontrar quem tanto faz falta.

Eu fico pensando em todas as coisas que aconteceram entre a gente, então a vida muda repentinamente e nos afasta, assim, tão abruptamente.

Queria ter mais tempo pra corrigir certas falhas minhas, queria ter mais tempo pra te mostrar o que você realmente significa, queria ter mais tempo pra fazer coisas que pudessem se tornar em grandes histórias para contar aos nossos netos, mais tempo pra construir melhores lembranças da gente.

Eu não sei muito o que dizer. Sabe aquele entalo, aquele nó na garganta? Parece que as palavras não fluem, mesmo quando eu tento escrever.

Nem sei muito bem o que quero dizer, mas se é isso que nosso Pai quer, preciso ficar bem com toda essa situação.

Eu sei que não queremos que as coisas mudem, mas de certa forma elas mudam.
Penso nas oportunidades que eu perdi de estar com você, e agora os dias se limitaram. Os dias vão chegando ao final. O desfecho do seu capítulo por aqui, pelo menos por agora, ou sabe se lá até quando.

Onde você estiver, pode ter certeza, meu pensamento acompanha você.
Conte, conte sempre comigo.
Independente do que aconteça, eu amo você e isso não muda. Eu sei que não muda.

Levarei sempre na memória e no coração.
Minha admiração e meu mais sincero afeto leve com você.

Seu jeito de assustada, sua risada boba, aquela mania de se esparramar em cima da gente, todo aquele dengo, o suingue carioca de dançar, o jeito todo despojado, a facilidade de se entrosar, nossas conversas, bagunças, passeios, viagens, o dia que você pagou um BK pra mim, todo carinho quando eu precisava de uma amizade, a forma como você faz parecer que tudo vai dar certo, mesmo nas piores situações, positividade sempre. O seu jeito sonhador, a força de vontade e animação contagiante.

Eu já sinto sua falta.

Um grande abraço,
Da sua, Tau Fa.



quinta-feira, 9 de junho de 2011

Hoje foi assim...

Dormi mais cedo a noite anterior. Acordei mais cedo que de costume pela manhã, logo esta manhã fria e chuvosa. Minha vontade era de ficar na cama e assistir a desenhos animados.
Sentei sonolentamente na cama. Para acompanhar o becejo dei aquela espreguiçada.
Caminhei até o guarda-roupas. Abri a porta e meditei por curto espaço de tempo que roupa usar.
Peguei minhas roupas, corri para o chuveiro. Depois de me vestir, fui ver se dava um jeito nesse meu cabelo amanhecido.
Tomei meu café, escovei meus dentes, peguei minhas coisas, me despedi de minha mãe e parti para mais um dia, daquela velha rotina.
Peguei o ônibus, em aproximadamente 7 minutos cheguei a estação.
Comprei meu bilhete, fui para plataforma esperar o trem, que quando olhei a frente já estava chegando.
Pensei até que chegaria ao trabalho a tempo de tomar um café, enrolar um pouco antes de começar de fato o trabalho, ganhar uma hora extra, quem sabe?
Foi então que o trem reduziu bruscamente a velocidade e parou entre duas estações.
Bom, algumas vezes os trens costumam parar em dias chuvosos, ou para aguardar a movimentação de algum trem a frente. Enfim, não havia motivos para qualquer tipo de preocupação.
Eu estava com meus fones de ouvido, checando meus emails, cantarolando baixinho enquanto isso.
Foi então que notei que já haviam se passado quase que mais de 20 minutos e o trem ainda não havia se movido. Tirei meus fones de ouvido, fiquei um tanto apreensiva.
Uma senhora falou sobre um helicóptero sobrevoando o trem. Eu levantei o olhar para o céu e vi dois helicópteros da policia. De repente carros do corpo de bombeiros, da policia e do resgate começaram a aparecer na área.
Confesso que nessa hora fiquei bem apreensiva, o coração até palpitou mais forte. Não fazia idéia do que acontecia. Fiquei realmente preocupada quando um policial veio até o vagão e pediu para que os lacres de segurança fossem quebrados para acionar a saída de emergência.
Então fiquei realmente assustada. Ter que sair do trem no meio dos trilhos, sem saber o 'porque'.
Foi quando eu desci do vagão, com ajuda de um Senhor de meia idade, que avistei o ônibus tombado nos trilhos e o primeiro vagão, que o havia atingido.
De repente me ocorreu que isso tudo poderia ter sido bem pior. Depois de saber que ninguém perdeu a vida, só posso concluir que o Grande esteve guardando a cada um e não permitiu que essa tragédia fosse maior do que foi.
Fiquei abalada, mas minha perspectiva de vida mudou, meus critérios de avaliação mudaram. Pensei não somente nas pessoas que eu amava, mas nas pessoas com quem eu tenho constantes conflitos. Questionei a mim mesma se quero continuar convivendo com elas dessa forma.
Não sabemos ao certo qual será o nosso último dia, quem será a última pessoa a que veremos, quais serão nossos últimos dizeres, o que estaremos fazendo, só sei que quando este dia chegar quero estar em dia com todos aqueles que fazem parte da minha vida. Principalmente com aquEle que me livrou deste acidente.
Hoje não passou de um susto, hoje foi um dia de sobrevivente, um dia para renovar a mente e o modo de vida. Valorizar o que realmente tem valor e não é material.
Aprender que chegar em casa bem, poder estar com família e contemplar o sorriso de cada amigo sincero é uma benção.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Outono.


O curioso de caminhar pelas ruas por estes dias é que só agora o vento de outono começou se manifestar com expressividade, fazendo-se perceber.

Quando olho para o céu desta estação, é lindo. Até acabo imergindo naquele infinito azul, com um toque divertido e gracioso dado pelas diversas nuvens espalhadas pela sua vastidão. A gente até sente o abraço gostoso do sol em alguns momentos, mas a verdade é que o vento passa gelado. Tão gelado quanto a rispidez de alguém que de tão magoado não consegue olhar para nada além da dor.

Mas confesso que o outono é uma bela estação. Só não sei quando as folhas começarão a cair, afinal eu as vejo todos os dias verdes, vibrantes e firmes em seus galhos.

Eu gosto de ver as folhas caírem preguiçosamente, como se estivessem sendo afagadas e mimadas pelo vento, que brinca com elas enquanto as repousa delicadamente ao chão. Afinal, são as únicas capazes de suportar o frio que ele carrega.

Não sei ao certo o motivo, mas o outono, prelúdio do inverno, faz querer ter alguém por perto, antes que o vento do inverno, que quando chega a minha janela seu sibilo já vai despontando em um uivo atormentado, muito mais violento, congele a esperança que nasceu com as flores da primavera e brilhou como o sol do verão.

Lembro de chegar cedo ao trabalho, receber um beijo de uma colega e ela comentar o quanto eu estava gelada. Mesmo com todos os agalhos, em uma tentativa frustrada de ignorar o vento frio que castigou minhas buchechas com a sua falta de calor.

Só sei que outono e inverno são as melhores épocas para filmes, livros, guloseimas e boas horas sob cobertores e edredons. Também é uma excelente oportunidade para compartilhar seu calor com alguém que precise dele, ou a alguém a quem você gostaria de simplesmente aquecer.

Ah, outono. Na sua solidão, antes que a depressão do seu estado se aprofunde e o transforme em inverno, você realmente ensina que agente não deve andar por aí sozinho.

Lembre-se: Some os seus 36° com os de alguém.