Cá estou, de volta ao terminal... Palco de alegria, hora cenário de solidão mesmo em meio a vastidão de gente que se vê.
Pouco a pouco, a saudade estreita o laço e forma um nó apertadinho na garganta. O cenário, outrora feliz, faz despontar a dolorida sensação de deixar pra trás quem você gostaria de ter ao lado a todo instante. O breu da noite, as luzes dos carros, o barulho dos motores e da velocidade que corta o vento gelado, de alguma forma, aumentam a força da ausência e a vontade de querer-te mais e mais e infinitamente. Sem meio termo, meio dia, meia volta, meia hora ou meia dúzia, mas inteiro e genuíno.
Enquanto deixo a cidade, deixo o abraço e um até breve. Mas meu bem, esse amor só fortalece a esperança de reencontrar-te mais e mais vezes até o único intervalo existente entre nós se fazer o sono e só.
domingo, 2 de junho de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
Conto - As peripécias de Albertine Henslie
Eu já desejei ser alguma espécie de super herói, ter super poderes, mudar o rumo de tudo que eu já vivi. Às vezes já desejei ser por motivos meramente egoístas, confesso, como voar, por exemplo. Fugir dos grandes centros urbanos (como seu eu morasse em uma grande cidade), poder entrar e sair quando eu quisesse, ficar invisível, ser reconhecida quando conveniente, assim como não ser notada, se fosse o caso. Talvez muita gente não admita, mas os motivos que tornam a vida de um super herói um grande atrativo é o reconhecimento, é a vontade de ser intocável, realizar tudo que se quer. Vivo há 9 anos neste orfanato em Suez Vale, desde que meus pais morreram. Por conta do trauma psicológico e o extenso período de acompanhamento, nunca houve alguma família que houvesse despertado o interesse de adoção por mim. Por ser mais velha, há algum tempo, ajudo como monitora dos menores, afinal a dirigente daqui, D. Carmen, diz que as crianças gostam muito de mim. Eu até que gosto de passar o tempo com elas. Talvez isso tenha me ajudado manter a sanidade. Recebo um salário pela prestação desse serviço, um valor simbólico, claro. Costumo guardar a maior parte do dinheiro, pois aqui nessa 'cidadezinha' não há muito com o que se gastar e também não tenho grandes ambições. Pensando bem, até que fico feliz pelo fato de nunca ter sido adotada. D. Carmen sempre foi bem mais que simplesmente a diretora do orfanato, ou mais que uma conselheira e amiga, ela é o mais próximo de uma figura materna que eu tenho, e é esta a intensidade do amor que cultivei por ela, embora nunca tenha confessado. No entanto, esta narrativa é um pouco mais curiosa do que possa parecer por esta introdução.
Era manhã do dia 23 de setembro, primeiro dia de primavera, meu aniversário. Acordei com a campainha histérica do meu antigo despertador que ficava em cima da cômoda, ao lado da cama, um dos poucos pertences que eu guardava dos meus pais. Como sempre, um tanto impaciente pela forma indelicada como o despertador soava, o desliguei um pouco grosseiramente e enrolei alguns minutos a mais, pois sabia que D. Carmen viria me chamar de qualquer forma em aproximadamente 7 ou 9 minutos. Nunca menos, ou mais. Estranhamente, não consegui cochilar nesse meio tempo, eu estava um tanto inquieta para ser sincera. Notei que o tempo passou e D. Carmen não apareceu. Foi então que percebi o forte cheiro de queimado invadindo meu quarto, que era o último do corredor do segundo andar. Pulei depressa da cama, abri a porta e mal conseguia enxergar um palmo a minha frente. Ouvi sirenes e a gritaria ao lado de fora do prédio. A fumaça rapidamente começou me sufocar, eu mal podia respirar. Era como se meu pulmão estivesse sendo esmagado. Não havia como chegar até as escadas para sair do prédio. O andar debaixo estava completamente consumido pelo fogo. Voltei ao meu quarto, rastejando e a fumaça já havia tomado conta do lugar. Ao entrar no quarto, avistei um vulto ao lado da minha cama, revirando minhas gavetas. Tentei gritar, mas tudo que consegui foi tossir. Ele virou pra mim, não podia enxergar muito bem o rosto, se era homem ou mulher, jovem ou velho, mas lembro bem da adaga empunhada hostilmente em minha direção, quando alguém interferiu e impediu que esse algo ou alguém me ferisse. Depois disso, não lembro como fui retirada do prédio. Todos só dizem que eu fui encontrada milagrosamente no estacionamento do orfanato, bem para onde minha janela, estilhaçada no momento, dava, mesmo sem entender como eu, curiosamente, saltei 20 metros de altura aproximadamente. D. Carmen me abraçava com força e chorava, dizia que era um milagre, pois eu fui a única que não ouvi o alarme de incêndio e, como meu quarto era o último do corredor, o fogo se alastrou rápido demais para que alguém conseguisse chegar ao segundo andar e me alertasse. Sim, foi um alívio não morrer carbonizada ou asfixiada, ou as duas coisas, mas não consigo deixar de pensar quem esteve ali comigo. Todos diziam que era impossível que alguém chegasse ali, nem mesmo os bombeiros conseguiram acesso, pois o estacionamento ficava atrás do prédio e, por aquela entrada estreita, no máximo uma caminhonete talvez passasse. Não havia rua ali atrás ou passagem para o caminhão deles, ou outra maneira de acessar aquele local por dentro do orfanato, embora estivessem estudando como chegar até a cobertura, mas, afinal, tratando-se de uma cidade pequena, os equipamentos dos bombeiros também não eram tão sofisticados para tanto. Passei o dia do meu aniversário no hospital em observação, depois de muita inalação.
O mais intrigante de tudo foi omitir que alguém estava ali e salvou minha vida. Tive medo de que alguém pensasse que tive uma recaída com meus transtornos. No entanto, foi após este incêndio que uma série de conturbantes acontecimentos se sucedeu.
Era manhã do dia 23 de setembro, primeiro dia de primavera, meu aniversário. Acordei com a campainha histérica do meu antigo despertador que ficava em cima da cômoda, ao lado da cama, um dos poucos pertences que eu guardava dos meus pais. Como sempre, um tanto impaciente pela forma indelicada como o despertador soava, o desliguei um pouco grosseiramente e enrolei alguns minutos a mais, pois sabia que D. Carmen viria me chamar de qualquer forma em aproximadamente 7 ou 9 minutos. Nunca menos, ou mais. Estranhamente, não consegui cochilar nesse meio tempo, eu estava um tanto inquieta para ser sincera. Notei que o tempo passou e D. Carmen não apareceu. Foi então que percebi o forte cheiro de queimado invadindo meu quarto, que era o último do corredor do segundo andar. Pulei depressa da cama, abri a porta e mal conseguia enxergar um palmo a minha frente. Ouvi sirenes e a gritaria ao lado de fora do prédio. A fumaça rapidamente começou me sufocar, eu mal podia respirar. Era como se meu pulmão estivesse sendo esmagado. Não havia como chegar até as escadas para sair do prédio. O andar debaixo estava completamente consumido pelo fogo. Voltei ao meu quarto, rastejando e a fumaça já havia tomado conta do lugar. Ao entrar no quarto, avistei um vulto ao lado da minha cama, revirando minhas gavetas. Tentei gritar, mas tudo que consegui foi tossir. Ele virou pra mim, não podia enxergar muito bem o rosto, se era homem ou mulher, jovem ou velho, mas lembro bem da adaga empunhada hostilmente em minha direção, quando alguém interferiu e impediu que esse algo ou alguém me ferisse. Depois disso, não lembro como fui retirada do prédio. Todos só dizem que eu fui encontrada milagrosamente no estacionamento do orfanato, bem para onde minha janela, estilhaçada no momento, dava, mesmo sem entender como eu, curiosamente, saltei 20 metros de altura aproximadamente. D. Carmen me abraçava com força e chorava, dizia que era um milagre, pois eu fui a única que não ouvi o alarme de incêndio e, como meu quarto era o último do corredor, o fogo se alastrou rápido demais para que alguém conseguisse chegar ao segundo andar e me alertasse. Sim, foi um alívio não morrer carbonizada ou asfixiada, ou as duas coisas, mas não consigo deixar de pensar quem esteve ali comigo. Todos diziam que era impossível que alguém chegasse ali, nem mesmo os bombeiros conseguiram acesso, pois o estacionamento ficava atrás do prédio e, por aquela entrada estreita, no máximo uma caminhonete talvez passasse. Não havia rua ali atrás ou passagem para o caminhão deles, ou outra maneira de acessar aquele local por dentro do orfanato, embora estivessem estudando como chegar até a cobertura, mas, afinal, tratando-se de uma cidade pequena, os equipamentos dos bombeiros também não eram tão sofisticados para tanto. Passei o dia do meu aniversário no hospital em observação, depois de muita inalação.
O mais intrigante de tudo foi omitir que alguém estava ali e salvou minha vida. Tive medo de que alguém pensasse que tive uma recaída com meus transtornos. No entanto, foi após este incêndio que uma série de conturbantes acontecimentos se sucedeu.
terça-feira, 19 de março de 2013
Não é fácil.
O amor não é fácil. Não mesmo. Às vezes você espera que o amor seja aquele sentimento de tirar o fôlego. Não, o amor não é nada disso. Não existem fórmulas mágicas, príncipes encantados e castelos.
Penso que não deva ser fácil amar, porque o amor é um atributo perfeito, que foi concedido a nós por graça de alguém que nos ama muito, daquele que criou o tal do amor. O que eu sei é que quando você ama, não há como voltar atrás, entende?
O amor é algo constante e permanente. Ele só se expande com o passar do tempo. Quando você encontrar a pessoa, aquela pessoa que é a 'pessoa', você não vai voltar atrás. Você simplesmente sabe que é. Talvez você se sinta inseguro em algum momento, mas você vai perceber que o amor só os levará adiante, não importa o que aconteça.
É assim, quando se ama alguém, se ama com tudo, incluindo defeitos.
É uma escolha que envolve intimidade e, intimidade envolve pensamentos divergentes, conceitos diferentes, hábitos peculiares, discordância, contas à pagar, roupas sujas, louças e a felicidade. A felicidade estável. Tristeza, pode haver. Porém, nunca será permanente como a felicidade. O amor é a escolha da qual não há arrependimentos e está longe de ser insano. É edificante amar. É como se olhar em um espelho e admitir todos os seus defeitos e entender que por isso vale a pena e é possível mudar. É quando percebemos que não somos escravos dos nossos erros, quando sabemos usar nossa liberdade não para nos justificarmos, mas para amadurecermos em prol do bem de quem está ao nosso redor, pois quem ama não mede esforços para fazer a coisa certa.
Eu acredito que encontrei isso há quase 10 meses atrás. É de se admirar como eu melhorei das minhas patologias de caráter por ter sido instigada a ser melhor, não só por mim, mas para quem está comigo.
Sou um tanto cabeça dura, eu sei, mas costumo parar para pensar em como é bom ter um amigo com quem conversar no final do dia, como é bom não ter que conquistar coisas só pra mim, mas como agora faz sentido compartilhar aquilo que eu já tenho e conquisto, como é bom preocupar-se com alguém e desejar tanto o bem da outra pessoa como eu jamais imaginei querer bem assim a mim mesma, como é bom ter companhia pra sonhar, como é bom chegar em casa e ter uma família que esteve e sempre estará comigo em todos os momentos, como é bom saber que eu posso contar sobre os meus erros e não haverá alguém pra me apontar dedos ou julgar. Sei que isso é uma dádiva. Eu jamais terei condições de retribuir tal favor, até porque não é só favor, é um presente e só me resta fazer bom proveito com o melhor de mim que eu puder dar a quem eu amo.
Dedicado a Matheus L.
Com amor, Tau Garota.
Penso que não deva ser fácil amar, porque o amor é um atributo perfeito, que foi concedido a nós por graça de alguém que nos ama muito, daquele que criou o tal do amor. O que eu sei é que quando você ama, não há como voltar atrás, entende?
O amor é algo constante e permanente. Ele só se expande com o passar do tempo. Quando você encontrar a pessoa, aquela pessoa que é a 'pessoa', você não vai voltar atrás. Você simplesmente sabe que é. Talvez você se sinta inseguro em algum momento, mas você vai perceber que o amor só os levará adiante, não importa o que aconteça.
É assim, quando se ama alguém, se ama com tudo, incluindo defeitos.
É uma escolha que envolve intimidade e, intimidade envolve pensamentos divergentes, conceitos diferentes, hábitos peculiares, discordância, contas à pagar, roupas sujas, louças e a felicidade. A felicidade estável. Tristeza, pode haver. Porém, nunca será permanente como a felicidade. O amor é a escolha da qual não há arrependimentos e está longe de ser insano. É edificante amar. É como se olhar em um espelho e admitir todos os seus defeitos e entender que por isso vale a pena e é possível mudar. É quando percebemos que não somos escravos dos nossos erros, quando sabemos usar nossa liberdade não para nos justificarmos, mas para amadurecermos em prol do bem de quem está ao nosso redor, pois quem ama não mede esforços para fazer a coisa certa.
Eu acredito que encontrei isso há quase 10 meses atrás. É de se admirar como eu melhorei das minhas patologias de caráter por ter sido instigada a ser melhor, não só por mim, mas para quem está comigo.
Sou um tanto cabeça dura, eu sei, mas costumo parar para pensar em como é bom ter um amigo com quem conversar no final do dia, como é bom não ter que conquistar coisas só pra mim, mas como agora faz sentido compartilhar aquilo que eu já tenho e conquisto, como é bom preocupar-se com alguém e desejar tanto o bem da outra pessoa como eu jamais imaginei querer bem assim a mim mesma, como é bom ter companhia pra sonhar, como é bom chegar em casa e ter uma família que esteve e sempre estará comigo em todos os momentos, como é bom saber que eu posso contar sobre os meus erros e não haverá alguém pra me apontar dedos ou julgar. Sei que isso é uma dádiva. Eu jamais terei condições de retribuir tal favor, até porque não é só favor, é um presente e só me resta fazer bom proveito com o melhor de mim que eu puder dar a quem eu amo.
Dedicado a Matheus L.
Com amor, Tau Garota.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Viajando!
Meu namorado mora há, aproximadamente, 200km de distância. Levamos, em média, de uma hora e meia a duas horas para nos vermos.
Por conta de viajar tanto, observo a particularidade de cada uma das pessoas que já estiveram ao meu lado durante este trajeto. Hoje, a senhora ao meu lado, que deve estar na casa dos 60 anos, com as pontas dos dedos amareladas e a tosse clássica de um pulmão que se definha pelo vício, reclinou sua poltrona, acomodou-se, desceu seu chapéuzinho de palha à altura dos olhos e disse: "Menina, coloque seu cinto. Deus não faz questão de te proteger se você não demonstra que quer ser protegida."
Mais do que depressa coloquei o cinto.
Eu sorri e disse: "obrigada".
Ela deu aquela olhada de rabo de olho enquanto eu apertava meu cinto. Quando terminei, ela fechou novamente os olhos e disse: "agora vamos pedir a Deus pra chegarmos bem. Se não acreditamos nEle, em que ou no que mais podemos depositar a nossa fé? Já vivi muito, e o mais confiável a se acreditar é Deus, porque até não acreditar que Deus existe não é uma decisão confiável."
Assim, seguimos nossa viagem. Sem mais nenhum diálogo a se fazer necessário, pois o recado foi bem dado.
Um bom feriado prolongado a todos!
Por conta de viajar tanto, observo a particularidade de cada uma das pessoas que já estiveram ao meu lado durante este trajeto. Hoje, a senhora ao meu lado, que deve estar na casa dos 60 anos, com as pontas dos dedos amareladas e a tosse clássica de um pulmão que se definha pelo vício, reclinou sua poltrona, acomodou-se, desceu seu chapéuzinho de palha à altura dos olhos e disse: "Menina, coloque seu cinto. Deus não faz questão de te proteger se você não demonstra que quer ser protegida."
Mais do que depressa coloquei o cinto.
Eu sorri e disse: "obrigada".
Ela deu aquela olhada de rabo de olho enquanto eu apertava meu cinto. Quando terminei, ela fechou novamente os olhos e disse: "agora vamos pedir a Deus pra chegarmos bem. Se não acreditamos nEle, em que ou no que mais podemos depositar a nossa fé? Já vivi muito, e o mais confiável a se acreditar é Deus, porque até não acreditar que Deus existe não é uma decisão confiável."
Assim, seguimos nossa viagem. Sem mais nenhum diálogo a se fazer necessário, pois o recado foi bem dado.
Um bom feriado prolongado a todos!
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
A inverdade disfarçada...
Muitas vezes eu vejo, ouço, leio e presencio coisas que não consigo digerir ou compreender o motivo do grande atrativo da situação, ou objeto em questão ao qual todos, nem todos, mas a maioria, muitas vezes, voltam sua atenção, dando origem a algumas tendências de movimento que são popularmente conhecidas por "modinhas". Acredito que todos já tenham passado por algo assim também.
Claro, existem "modinhas" que banalizam coisas realmente boas, mas é o preço que se paga pela globalização e era virtual, por meio de um acesso a informação ridiculamente e maravilhosamente fácil. A questão é a seletividade das pessoas que tem se "vulgarizado", eu diria.
Claro que existem muitas variáveis que moldam o gosto de cada pessoa, o conhecimento de mundo de cada um é que vai determinar isso.
Já ocorreu, por exemplo, de por não concordar com algo que a maioria das pessoas gostam e uma minoria não, sofrer uma certa hostilidade ou menosprezo. Claro, isso é normal. (Ou não deveria ser). O instinto humano provoca a reação de menosprezar ou discriminar uma opinião contraditória alheia, principalmente quando há respaldo de um grupo de número representativo, que mesmo sem uma explicação lógica algumas vezes, te colocam em um patamar inferior de intelectualidade e bom senso. O que às vezes pode ser real, ou não. (Só para satirizar um pouco).
Onde quero chegar com isso?
Simples. Coloco isso dentro do âmbito cristão. Se pegarmos a história do evangelho, a mensagem de Cristo, nunca foi unanimidade. Nunca houveram "maiorias" a favor dEle, tanto é que Pedro, ao se deparar com a grande quantidade de pessoas que condenavam Jesus, até o negou.
Eu não consigo ver Jesus como alguém que agradava a todos, que fazia a todos rirem, que se ocupava na trama de estratégias para que multidões viessem ouvi-lo, ou aderissem ao cristianismo, alguém que se preocupava em ter um visual formal, para impor algum respeito, ou mais despojado, para parecer mais moderno, divertido, esperto e atrair um público que acredita que os cristãos caíram na religiosidade e caminharam para um estilo de vida obsoleto.
Para algumas pessoas é um absurdo não se portar a frente com uma gravata, para outras é um absurdo que tenha gente que pense que roupa correta para estar na igreja é um terno, gravata e uma saia longa. Este é só um exemplo de algumas das discussões pífias, que ainda hoje, existe nas igrejas. O problema é que, ambos os grupos, se ocupam tanto em debater tais tipos de assuntos que se esquecem do foco.
O matrimônio, uma divina instituição, descaracterizado pela quantidade de divórcios, que se tornam cada vez mais frequentes e aceitáveis em nosso meio. As pessoas se casam impulsivamente, sem refletir na seriedade disto. Com passar do tempo se tornam intolerantes às falhas humanas cometidas pelo cônjuge, logo, impacientes decidem, mesmo que sem motivos relevantes, desistirem. (Capricho). Não se dão ao trabalho de lutar pelo amor, de lutar para reconstruir um bem tão precioso que é a família. Enxergam todas as impossibilidades, mas não conseguem visualizar as possibilidades maravilhosas que existem dentro disto, tamanho egoísmo que se prolifera em nossos tempos. É o tal do "valorize-se, evolua, seja feliz por si só, conquiste, auto afirme-se", as pessoas desaprenderam andar em conjunto, a serem flexíveis, conversarem sem serem hostis e entender umas as outras. Empatia é item escasso nas gôndolas que compõem o caráter da sociedade atual.
Tudo sutilmente vai entrando e tornando-se aceitável. Criticamos o povo no deserto, que por quarenta anos caminharam em círculos por sua incredulidade. Falamos abismados sobre eles desviarem o foco de devoção a outros "deuses", mas fazemos a mesma coisa. Os deuses do mundo moderno não são necessariamente imagens de esculturas.
Muitos só acreditam que Deus está agindo se o sobrenatural estiver acontecendo, se estivermos chorando com as mãos estendidas aos céus. Se esquecem das coisas surpreendentes e incríveis que diariamente o Grande nos tem concedido, como o ar invisível que infla nossos pulmões, como um coração pulsante, como a noite e o dia, o sol, a lua, as estrelas, o mar, a fauna, a flora, as mudanças climáticas, todas essas coisas tão impressionantes que se tornaram comuns, as quais somos indiferentes e raramente nos lembramos de agradecer.
Por fim, eu deixo um versículo: Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.
Mateus 24:24
Por isso passei a ignorar as maiorias que não tem uma justificativa coerente, nos momentos em que faço parte das minorias, não há nada de errado nisso. Aprendi também, que devo ouvir as minorias quando estou apoiando as maiorias, afinal, o caminho é estreito, não é uma grande multidão que passa por um caminho estreito, certo?! E nem sempre quem se diz convencido e adepto da verdade, tem de fato a verdade. Dos males da minha geração, acredito que a cegueira deva ser acrescentada a lista como um dos mais nocivos, pelos ventos de doutrinas aos quais muitos se deixam levar.
Não estou defendendo nenhuma doutrina, nenhuma denominação e religião, eu parto de um simples conceito, se amamos a Deus, esse amor é manifestado através das nossas relações, do bem que fazemos aos outros, da nossa comunhão e unidade, além de que, consequentemente, por amor, obedecemos ao Pai.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Dona Sonia e seus alguns anos...
Lembro de você contando que, quando descobriu que estava grávida, não estava pronta a ter um outro filho assim tão depressa. Afinal, meu irmão tinha meses quando você descobriu a gravidez. Então, pediu a Deus que se esse fosse o último filho que Deus estava lhe dando, que nascesse uma menina.
Eu nasci, então.
Lembro das minhas birras por não querer colocar os vestidinhos que você comprava. Lembro do tempo que ficávamos na sua cama, brincando de cócegas e de dar selinhos. Lembro de quando você e o pai estudavam e de nos buscarem na casa da vó já adormecidos pra voltarmos pra casa.
Lembro do dia em que me perdi na praia e de, mesmo muito criança, naquele dia descobrir que eu jamais iria querer me separar de você. Lembro de como nos unimos quando o pai esteve na UTI.
Lembro de todas as minhas peraltices, das broncas que levei, de dificilmente conseguir sua liberação pra sair e de como tudo o que você fez por mim, mesmo que eu não tenha concordado a principio, fizeram com que me tornasse quem eu sou hoje.
Mãe, sei que o amor de Deus pela minha vida se manifesta também através do seu cuidado por mim. De todo sacrifício, de todo o apoio, de cada marmita, de cada mala pronta, de cada roupa lavada e passada, de cada tênis limpo, de cada abraço, de cada ida ao médico, de cada momento de apoio, do primeiro dia na escola, da primeira cólica, da primeira entrevista de emprego, do primeiro dia na faculdade, dos alertas quanto aos caras não muito legais para se namorar, da colação de grau, da primeira viagem de avião, de viver mais por mim e pelo meu irmão do que por você. Espero um dia conseguir te retribuir tudo que você me fez de graça, só por me amar. Obrigada por me mostrar o caminho em que eu sei, hoje, que sempre devo andar, de me levar a igreja mesmo quando eu não queria ir.
Mãe, eu amo você tão imensuravelmente assim como o universo não pode ser medido.
Parabéns por mais um aniversário!
Receba este texto com o mais sincero afeto de tudo de bom que existe dentro de mim a te oferecer.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Para Matheus Longo Mendes:
_______________________________________________São Caetano do Sul, SP – 12/12/12
Hoje a gente encontra pelos corredores gente roendo as unhas, gente passando mal, gente com um pedaço de papel lendo e relendo, rabiscando, amassando. As mangas amarelando de enxugar o suor. Gente tensa por todo canto. Em contrapartida, há aqueles que carregam a expectativa no olhar, que levam consigo o afeto, o apoio incondicional e o sorriso de incentivo.
E esse é o momento em que você se depara no topo da jornada desses 1461 dias, afinal 2012 é ano bissexto. Mais uma etapa vencida. Mais um passo nesse estranho processo de “tornar-se gente grande”, gente que pensa, gente que defende e expressa com brilhantismo seus ideias, gente que faz, gente cria, gente que não esconde seus amores, sua crença, sua família.
Chegar neste momento, encarar os nossos mestres, não digo estes mestres de banca, os mestres que dão sentido a isso. Aqueles que estão ao seu lado em toda e qualquer situação, aqueles que esperavam por isso tanto quanto você. Aqueles que te assistem não pra te dizer se é isso, ou não, se é 0, 7 ou 10, ou qualquer outro algarismo que seja. Falo dos mestres que estão atentos a te olhar pra dar aquela acenada afirmativa com a cabeça, sorrir e dizer que você conseguiu.
Madrugadas, finais de semana sacrificados, desentendimentos, dores de cabeça, crises criativas, guloseimas e mais guloseimas pra acompanhar a lida.
Mah, não deu pra estar contigo hoje, infelizmente, prestigiando este momento tão importante desse seu ciclo acadêmico. Sei o quão dedicado você é. Sei o quanto você gosta de se doar e de não se satisfazer enquanto não fizer o melhor que pode. Sei o quanto você lutou por este momento, o quanto isso é importante para você. O mínimo (como eu gosto de dizer) era escrever estas singelas linhas, para que saiba que independente do que sua banca diga, pra mim você é e sempre foi 10 e além disso. Quem dera todos pudessem olhar para o mundo com seus olhos cheios de possibilidade, soluções e esperança, amarem com a mesma intensidade e facilidade com a qual você faz. Eu sei que você deve ter sido brilhante, afinal, você é. Independente da opinião de qualquer banca. Parabéns a você e a agência Mercúrio, pelo excelente trabalho, pelo cuidado e pelo esforço individual e coletivo empregados para a concretização deste PGE.
Por fim, Matheus, você (pra mim) é o melhor. Quantos sonhos, quantos projetos, quanto suor, quantas vezes abrir mão do lazer, da diversão, do ócio, da companhia da família e dos amigos se fez necessário para chegar até aqui. Quantos contratempos, quanta adversidade, quantos obstáculos, mas nada disso te desmotivou. Entre risos e prantos aqui estamos, sem desanimar, prontos a conquistar sempre.
Parabéns, meu amor. Você merece tudo de melhor que possa haver. Você, pra mim, sempre vai ser meu incrível Matheus, presente de Deus.
Te amo, “decor”!
(Ps.: Decor é uma expressão vinda do latim que quer dizer “saber de coração”.)
De Tau Farias
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