sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Marco e Ana. (Parte 7) - De look novo.



"Não, não gostei. Que tal esse?!"
Lá vinha ela, já com um punhado de roupas nas mãos. Não acredito que deixei Rita me trazer para fazer compras. Dessa vez ela me entregou uma calça jeans clara, skinny, mas não tão justa.
"Ah, experimente esta aqui também!" Ela disse me entregando uma camisa preta, básica.
Entrei no provador novamente, sentindo como se fosse um projeto dela. Ah, claro, ela estava sentindo um enorme prazer em tudo aquilo.
"Que tal?"
Ela se aproximou, espremeu os lábios, apoiou a mão esquerda na cintura, segurou o queixou com a mão direita, olhou pra mim de cima abaixo minuciosamente, examinando cada detalhe e, confesso, isso me deixou tenso. Ela se aproximou, ergueu seus braços passando por cima de meus ombros, de encontro a gola da camisa e a ajeitou. Abriu mais um botão e dobrou as mangas.
"Uaul! Perfeito agora." A sua cara de satisfação e missão cumprida me fez sorrir sem que eu percebesse que estivesse fazendo.
Voltei ao provador para colocar minhas antigas roupas que não são tão ruins assim e fui até Rita.
"Vamos levar esse, esse... esse também. Ah, não se esqueça desse, mais esse..." E ela foi dizendo enquanto entregava pilhas de peças a vendedora que nos atendia.
Claro, vou pular a parte da conta monstruosa e ignorar o fato de Rita tentar me convencer de que gastar com roupas é um investimento, pensamento totalmente feminino. Também vou paular a parte de quase devolver todas as roupas a loja, mas lembrei do olhar de aprovação de Rita, que era tão sofisticada e dei meu cartão a vendedora.
"Agora vamos a segunda parte. Você tem horário marcado!"
Era impressionante como ela não escondia o olhar eufórico. Parecia que estava brincando de esquadrão da moda comigo.
Ela me levou até seu cabeleireiro, Stefan. Claro que este não deveria ser seu real nome, mas acredito que pelo estilo de vida e pela profissão ele achou conveniente adotar este pseudônimo.
Rita questionou se eu estava desconfortável pelo fato de Stefan ser gay, mas isso não me incomoda. O meu real desconforto era pensar no preço absurdo que eu pagaria por um corte de cabelo. Sim, eu cortava meu próprio cabelo e estava começando a perceber que grande parte do meu fracasso com o público feminino era devido ao meu espetacular corte de cabelo.
"Stefan, faça sua mágica. Quando voltar, quero surpreender meus olhos ao vê-lo novamente, Marco."
"Você vai me deixar só?"
"Não, estarei por perto. Não se preocupe, daqui a pouco eu volto e você está em boas mãos."
Ela sorriu, enquanto eu estava sentado em uma cadeira próxima a recepção, esperando o que as tesouras de Stefan aprontariam em meus cabelos, com um semblante não tão amigável. Então ela segurou meus ombros pelas costas e me beijou na bochecha. Isso me fez sorrir e não me preocupei em disfarçar como me fez bem.
Entretanto, ela se foi e eu precisava de uma mágica, pelo menos era o que ela pensava. Tudo bem, eu entendi que Rita estava tentando me ajudar, mas não era este tipo de ajuda que eu precisava. Talvez não a que eu precisasse, mas a que eu não queria. Não sou do tipo vaidoso, mas eu fazia o básico. Tomar banhos todos os dias, desodorantes, perfumes, malhava sempre e cuido bem da minha higiene pessoal. Não me visto tão mal assim, mas confesso que até gostei das novas roupas. Só o preço que não me agradou tanto.
"Pode me acompanhar por aqui? Fica tranquilo, eu não mordo... quando não me pedem. E sei que você não vai pedir." Disse Stefan, soltando uma gargalhada, enquanto caminhava a minha frente. Eu sorri amistosamente em resposta.
"Pode sentar aqui!" Então sentei em uma poltrona e ele ao meu lado.
"Então, você é chefe de Rita?" Ele começou puxar assunto, enquanto aguardávamos a assistente varrer o espaço dele.
"Mais ou menos."
"Mais ou menos? Pode explicar?"
"Ela é uma das assistentes da diretoria, mas não é a minha assistente. Cada diretor tem seu assistente direto, mas como o real chefe dela não a solicita muito, eu costumo roubá-la para mim."
"E você, não tem um assistente?"
"Por incrível que pareça não. Sou um dos únicos lá que dispensa assistentes."
"Até você conhecer a Rita, não é mesmo?!" Ele disse soltando uma risada sarcástica.
"Pois é. Gosto da forma como ela pensa." Sorri para ser educado, não gostei muito da insinuação.
"Vamos! Levante-se. Precisamos melhorar o tom deste seu cabelo."
Fui até a cadeira de Stefan. Ele tinha um espaço privativo no salão. Não tabalhava a vista como os demais cabeleireiros de lá. Depois Rita me contou que ele era um dos sócios do salão e o mais requisitado dali também. Conseguiu um horário de última hora pra mim por conta da amizade de anos que tinham.
"Fique quietinho aqui. Não fuja, eu já venho!"
Assenti com a cabeça. Fiquei ali sentado, olhando para aquele espelho enorme a minha frente. Aquele carrinho ao lado, cheio de assessórios, prendedores, escovas, pentes, secador, prancha e muitas outras coisas que eu desconhecia, e já estava feliz em poder discernir estes.
Foi então que meu celular vibrou e o peguei em meu bolso para ler a mensagem:
"Sinto sua falta. Me liga qualquer hora! Ana."
Meu coração se apertou, faziam alguns dias que eu não retornava as mensagens, emails e ligações dela. Não por mal, mas no começo porque havia decidido me afastar, depois porque estava com tantos projetos na empresa, que acabei consumindo todo meu tempo neles e me esqueci de dar um sinal de vida a ela. E como eu sentia falta de Ana. Por mais que a companhia de Rita me fizesse bem, não podia simplesmente deixar de lado meus sentimentos, embora soubesse que Ana jamais iria mudar a forma de me ver, somente um bom amigo.
"E você não fugiu. Que surpresa!" Disse Stefan se aproximando com luvas, um pincel e dois tubinhos.
"Até que sei me comportar." Dei um breve sorriso de canto para ser simpático.
"Bem, vamos mudar o tom desse cabelo, fazer de você um homem mais moderno!" Ele não disfarçava o tom excêntrico de seu comportamento, a empolgação em misturar aqueles cremes e logo começar espalhar com um pincel aquilo pelo meu cabelo. Não vou negar que dei boas risadas. Até que era engraçado.
"Mas então, quando não tinha Rita, você roubava o assistente de quem?"
"De ninguém."
"Hummmmm. Ela é encantadora, não é?! Ela gosta de um restaurante italiano que fica a duas quadras daqui."
"O que isso tem a ver com o assunto?"
"Ai, homens, tão lerdos." Disse ele com uma expressão de inconformismo."Escuta, querido, estou te dando uma dica. Depois que eu terminar, vai ser difícil uma mulher te rejeitar."
"Mas eu e Rita somos simplesmente amigos. Nada demais."
"Simplesmente amigos? Você acha que eu não senti as vibrações de vocês? Eu vi como você olha pra ela."
"Eu olho como olharia para qualquer outra moça."
"Qualquer outra moça em que você também estivesse interessado como está por ela. Dá pra perceber que você gosta dela."
"Acho que você está confundindo as coisas. Eu e Rita é algo sem probabilidade de acontecer, até porque eu..." Interrompi minha fala quando percebi que já estava a ponto de citar Ana na
conversa.
"Você o que? É casado?" Ele arqueou as sobrancelhas bem feitas, parou por um momento de pincelar aquele creme no meu cabelo e ficou me olhando com espanto.
"Não. Claro que não!"
"Que susto! Então qual é o problema?" Voltou a pincelar meu cabelo.
"Não há problema algum, mas estou te dizendo, somos apenas bons amigos de trabalho."
"Olha, não me engane, rapaz. Tenho sexto sentido pra essas coisas. Dá pra perceber que rola um clima entre vocês, mas você tem algo que o impede. Quer um conselho?"
"Um conselho?" Não tenho nada a perder. Já estava ali mesmo. "Diga!"
"Rita é uma mulher incrível. Ou você escolhe se quer ficar neste impasse que o impede e perde a oportunidade de estar com uma mulher exuberante, ou leva Rita pra jantar naquele restaurante que eu te disse." Este conselho veio acompanhado de uma piscadela.
Stefan até que me fez pensar bastante sobre a minha situação. Infelizmente eu ainda estava preso a estes sentimentos por Ana.
"Agora vamos esperar alguns minutinhos enquanto a tintura age. Quer uma bebida, Marco?"
"Não, Stefan. Obrigado." Ainda não acredito que permiti que alguém tingisse meu cabelo.
"Julieta, traz pra mim um chá, por favor!" Gritou Stefan para uma assistente.
"Certeza de que não quer nada?" Ele me olhou por baixo, com uma expressão interrogativa quase que insinuando que eu queria algo sim.
"Não, estou bem. De verdade. Obrigado." Sorri cordialmente.
Conversamos sobre uma série de coisas. Stefan arranjava tantas perguntas quantas eram possíveis. Contei dos meus tempos de ator. O que me fez lembrar muito Ana. Fiz o máximo para evitar citá-la.
Ele lavou meus cabelos, colocou aquele avental de plástico sobre mim abotoando em meu pescoço. Pegou uma das tesouras que tinha em uma espécie de cinto, carregava nele algumas tesouras, um pente e alguns prendedores. Então começou a cortar meu cabelo.
Enquanto isso conversávamos e ríamos. Ele era realmente divertido. Dizia coisas inusitadas, enquanto me convencia de que eu deveria ir aquele restaurante italiano com Rita.
Ele me virou de costas para o espelho, pegou o secador e começou a passar a mão em meu cabelo como se estivesse contribuindo com o vento do secador para me despentear. Quando meu cabelo estava totalmente seco, usou uma espécie de pomada capilar, ajeitando meu cabelo com os dedos, enquanto olhava para mim concentrado, arqueando uma das sobrancelhas e apertando os lábios.
"Voilá!" Ele disse satisfeito, virando a cadeira para que eu me olhasse no espelho.
"Sou eu mesmo?" Disse ironicamente me olhando espantado no espelho.
"Marco, meu querido, você só precisava ser lapidado. Agora desfrute dos benefícios de uma boa aparência."
"Pelo valor que terei de pagar, precisa haver muitos benefícios mesmo."Ri sarcasticamente após meu comentário.
"Pagar? Nada disso. Isto é um presente para minha amiga. Você é um rapaz decente. Rita precisa de alguém como você por perto. Já cansei de vê-la com idiotas por aí."
"Stefan, não precisa. Eu posso pagar, sou só meio muquirana."
"Não, eu insisto. Me sentirei ofendido se você não aceitar. A proxíma você vai pagar, fique tranquilo." Ele sorriu, olhando para mim satisfeito, com os braços cruzados.
"Não sei se vai haver proxíma vez. Sabe que eu não sou muito disso."
"Acredite, você vai voltar! Você vai gostar de ouvir o que as mulheres tem a dizer agora sobre você."
"Marco?! É você?!" Disse Rita espantada ao me ver.

domingo, 2 de outubro de 2011

Marco e Ana. (Parte 6)

"Ana"

'Essa sou eu, alguns anos atrás. Dia chuvoso. Estávamos dentro de um carro.
Não entendo porque todos os meus relacionamentos com ótimas possibilidades de sucesso fracassam. É como se eu sabotasse aquilo de bom que me acontece.
Tivemos uma discussão, até que não tão longa. Sabe, e eu gosto desse cara, mas não gosto da maneira como devo gostar dentro de um relacionamento. Não consigo desenvolver um sentimento maior.
Então eu abri o meu coração naquela franca conversa. Choramos, ambos. Afinal, já éramos amigos de longa data.
Depois de um tempo conheço o Pedro. Sim, dele eu gostava como se deve gostar dentro de um relacionamento, penso eu. Fracasso novamente.
Começo me perguntar o que há de errado.
Meu melhor amigo, o Marco, é quem sempre me ajuda. Quem sempre me ouve.
No dia do término do meu namoro com o Pedro, sim, era ele quem estava lá. Então eu senti algo estranhamente diferente no abraço dele. No toque. Era como se irradiasse uma discreta corrente elétrica por todo meu corpo. Uaul! Como aquilo era bom.
O estranho é que parecia que o Marco nunca mais iria voltar depois daquele abraço.
Eu sempre senti que ele gostava de mim, além da conta pra uma amizade. Também sei que ele sempre entendeu como eu me posicionava sobre nós sem que tivesse que dizer algo. Ambos sabíamos só de nos olharmos. Sabíamos muito um sobre o outro.
Ríamos das mesmas piadas, gostávamos das mesmas músicas, tínhamos o mesmo prato predileto, gostávamos estranhamente de ver como a água da chuva escorre pelas janelas, ficávamos ouvindo músicas juntos durante o expediente, trocávamos mensagens de texto e conversávamos sobre praticamente tudo. Quando eu ou ele estávamos deprimidos íamos jogar sinuca, ou ficávamos dentro do carro cantando músicas que gostávamos em voz alta, enquanto nos enchíamos de chocolates, sorvetes ou pizzas.
Deixe-me contar como nos conhecemos.
Nós tínhamos amigos em comum. Ambos somos atores. Claro, Marco deixou de lado a carreira.
Eu não. Embora seja graduada em artes cênicas e esteja concluindo o curso de economia. Só não larguei a carreira como Marco porque trabalho junto com meu pai, sendo assim, eu tenho mais flexibilidade pra deixar os negócios de família um pouco de lado e atuar. Não que eu queira herdar a empresa e prosseguir com o trabalho, acredito que meu irmão mais velho vá fazer isso, embora eu passe mais tempo trabalhando com meu pai do que ele.
Enfim, nos conhecemos pelos nossos amigos em comum. Temos um amigo roteirista, o Renato, ele nos convidou para a estréia de uma das peças que ele escreveu. Depois saímos juntos com o elenco, mais alguns amigos e agregados. Foi então que entre brincadeiras, conversas aleatórias, risadas, um rapaz, digamos peculiar, se aproximou. Cabelo castanho claro, desengrenhado e mal penteado, não era tão alto, mas era mais alto do que eu, sem dúvida. Tinha um sorriso bonito, grandes bochechas, pele clara, olhos castanho claro também, usava uma camiseta azul marinho, jeans básico e um adidas sl 72 preto.
Era meio desajeitado, mas eu acredito que naquele dia foi pela timidez inicial, mas ele procurou se mostrar tremendamente cavalheiro.
Depois de lá nunca mais paramos de nos falar até agora, pois desde o último dia em que nos vimos ele não me retornou mais.
Não sei o que fazer, só sei que sinto a falta dele de um jeito que eu não imaginava que poderia sentir. Espero que não seja tarde.'

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Marco e Ana. (Parte 5) - Almoço.


"Marco"



Fiquei a esperando no saguão do prédio. Não posso dizer que havia me apaixonado por Rita, mas sua companhia era inegavelmente agradável.
Então o elevador parou no andar. Eu a vi sair do elevador, os cabelos dourados, a pele macia e pálida, o vestido estampado, justo e modelado as curvas de seu corpo. Sim, não dava pra acreditar que uma mulher assim aceitou almoçar com um cara como eu. E a sútil brisa invadiu o saguão para brincar com seus cabelos ondulados, tornando-a mais graciosa do que ela já era.
Tentando me manter simpático e indiferente ao efeito de "embasbacamento" que a beleza de Rita me provocava, sorri cordialmente.
- Vamos?
-Sim!
Fomos ao restaurante onde costumeiramente almoçamos.
- Para uma mulher do seu tamanho, você tem um ótimo apetite.
- Ei!
Ela sorriu e deu um tapa de leve em meu ombro.
- E você come como uma moça, Marco Antonio.
Sim, antes que você se espante, meu nome é Marco Antonio. Sou um dos pobres coitados que ganhou dos pais um nome composto. Quer me deixar sem graça, só chamar por mim dizendo 'Marco Antonio'. Entretanto, a forma como ela me chamou assim fez até com que eu gostasse do meu nome.
Engraçado que ambos optamos pela mesma bebida. Suco de abacaxi, sem hortelã, batido com açúcar, água gelada, mas sem gelo. Eram exatas as especificações.
Lembro-me de só me dar bem assim com Ana.
- Então, Marco, como você se tornou diretor de criação da agência?
- É uma longa e chata história. Na verdade eu era ator.
- Ator? Então sua história é mais interessante do que eu imaginava.
Não sei "porquê" as pessoas se surpreendem quando eu falo sobre isso.
- Qual o motivo da surpresa?
- Bem, não parece seu perfil!
- Eu entendo. Enfim, eu morava com a minha mãe, minha avó e um irmão mais novo. Sete anos mais novo. Minha avó faleceu. Meu irmãozinho adoeceu. Só contávamos com o salário da minha mãe que não era lá grande coisa e tínhamos que reduzir gastos por conta dos remédios. Hoje ele está bem, claro. Mas o trabalho de ator é instável. Podia passar um ano trabalhando direto com sorte, ou não ganhar nada por longos períodos também. Foi então que conversando com um amigo meu publicitário, que estava tentando finalizar uma peça e não prestava muita atenção no meu desabafo, eu descobri esse talento que corre em minhas veias.
Rita me interrompeu com uma gargalhada discreta e eufórica.
- Desculpe interromper. Então, como você descobriu?
- Bom, meu amigo já havia apresentado a peça ao cliente umas três vezes. O cliente havia rejeitado todas as vezes, mas deu uma nova chance. Era uma oportunidade única. Então, como ele não estava prestando atenção em mim, parei para saber o que ele estava fazendo. Dei alguns palpites e ele conseguiu o cliente. Depois disso ele me pediu opinião para outros trabalhos, até que me fez uma proposta de montarmos uma agência e trabalharmos juntos. Eu não entendia nada de comunicação, mas era extremamente bom em criação. Funcionava meio que por intuição, sabe? Hoje eu sou graduado na área, é diferente. Não sou mais um leigo.
- Mas se você teve sua própria agência, como chegou a diretor de criação aqui?
- Pegamos um grande cliente na época, fizemos um bom trabalho e o irmão de um dos coordenadores da empresa conseguiu meu contato. Para minha surpresa era o Ricardo. Nosso querido chefe. Se interessou pelo meu trabalho, fez uma boa proposta e aqui estou.
- E a vida de ator?
- Embora eu goste de atuar, minha vida tomou outros rumos. Confesso que gosto do que faço hoje.
- Você, cara assistente, qual sua história?
- Nasci, cresci, tive meus dilemas infanto juvenis, meu rolinhos de colégio, meus namorados sérios, coração partido, parti alguns também. Ingressei na faculdade de publicidade. Acabo de me graduar e distribuí currículo para uma série de agências e consegui um estágio aqui. Agora sou efetiva.
- Eu abro meu coração pra você e é isso que ganho em troca? Eu acho que tem mais e você não quer me contar.
Rita deu uma gargalhada espontânea e chacoalhou a cabeça negando.
- Eu tive uma vida normal. Não fui uma atriz que mudou repentinamente sua área de atuação.
- Então eu tive uma vida anormal, é isso o que você pensa?
Sorri, achando divertida a situação e arqueando a sobrancelha para acrescentar um tom irônico a minha fala.
- Não, Marco. Digamos que a sua vida foi mais interessante que a minha. Eu sempre tive uma vida regrada quanto a carreira profissional. Eu me formei justamente na minha área de atuação e dei certo nisso. Com você foi diferente. E hoje você está bem melhor do que eu. Exceto que...
Ele parou do meio da fala. Sacudiu a cabeça e cortou mais um pedaço do bife em seu prato e o levou para a boca. Eu acompanhei o gracioso movimento que seus lábios faziam enquanto ela mastigava.
- "Exceto que?" - Indaguei.
- Nada, deixa pra lá.
- Agora você me deixou preocupado e curioso. Demais de curioso. Talvez eu nem durma por isso.
- Você não vai me levar a mal? Afinal, você é meu chefe.
- Não. Estamos como amigos aqui. Pode falar.
- Você é um diretor de criação incrível. É inteligente, tem um excelente senso de humor, é gentil, atencioso, mas você poderia melhorar uma coisa.
Minhas palmas começaram a suar. Uma mulher que iria falar o que eu preciso mudar pra ser melhor, depois de ressaltar todas estas minhas qualidades. O pior era que ela dizia para o meu bem, mas isso me deixava inquieto. Acredito que nem consegui disfarçar direito a forma como fiquei subitamente tímido e inseguro. Devido ao meu insucesso com o público feminino, a essa altura do campeonato, tudo era válido.
- O que eu devo mudar?
Tentei soar espontâneo e tranquilo, embora estivesse tremendo por dentro e como foi difícil perguntar.
- Marco, você é um homem bonito, sabia? Precisa valorizar-se mais.
Eu acho que não entendi muito bem o que ela disse a principio, mas confesso que meu nervosismo passou. Passou pela minha cabeça que ela podia ter pensado que eu tinha algum problema como depressão ou algo do tipo. Enfim, tirando minha vida amorosa, praticamente um desastre e inexistente de certa forma, eu estava bem.
- Me valorizar mais?
- Isso. O que você vai fazer hoje depois do expediente?
- Vou pra casa.
- Então, antes de ir pra casa vou te levar a um lugar.
- Isso é um convite ou uma ordem?
- Oh, desculpe-me pela forma como eu disse. Claro, vou te levar a um lugar se você quiser.
- Claro!
Não disfarcei o tom animado de minha voz, queria soar menos empolgado. Agora não podia reverter mais o que já havia sido proferido. Tentei corrigir em um tom mais ameno.
- Digo, tudo bem. Contanto que não haja surpresas desagradáveis.
- Prometo que tudo será o mais agradável possível.
Engraçado como parecíamos amigos de longa data. Era ótimo passar o tempo com Rita. Confesso que comecei envolvê-la mais nos meus projetos para que passássemos mais tempo juntos. Adorava seu sorriso, seu humor, sua sutiliza em dizer aquilo que pensava sem ser ofensiva.
Voltamos ao escritório. Até que ao final do expediente, Rita bateu a porta de minha sala e disse:
- Preparado pra irmos?
- Só mais 5 minutos. Vou desligar tudo aqui e pegar meu casaco.

[continua]

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ana e Marco. (Parte 4)







-Tudo vai ficar bem. Eu prometo.
Era tudo o que Marco conseguia dizer a Ana enquanto a consolava em seu abraço.
-Por que eu não consigo deixar de gostar dele? Eu... Eu... Já me cansei de tudo isso!
Foi então que Marco percebeu que não era mais do que um amigo. Ele já sabia, mas nessa hora foi como se ele tivesse um lapso de lucidez, pois percebeu o quanto se importava com ela, o quanto a queria, mas nunca iria ter nada mais do que isso que já tinham.
-Ana, um dia você vai conhecer alguém que vai te fazer esquecer todas as suas frustrações amorosas. Um cara que não vai te desapontar e vai ser tão bom com você, que toda vez que se lembrar dele você vai sorrir. Alguém que se importa de verdade, alguém que vai te amar e isso nunca irá mudar.
Ela ergueu o rosto para Marco, o fitou surpresa pelo que acabará de dizer. Ele a encarou gentilmente de volta. Afagou seu rosto com delicadeza. Beijou sua testa, suspirou em um tom quase que melancólico. Desatou-se dos braços dela e desceu as escadas. Saiu da casa de Ana, foi até seu carro. Abriu a porta e antes de entrar, olhou para janela do quarto, onde ela estava olhando para ele sem entender muito bem o clima diferente que preencheu os minutos em que estiveram juntos.
Marco ficou ali alguns segundos e logo abaixou a cabeça e entrou em seu carro.
Ana acompanhou ele se afastar, até que virasse a esquina e ela não o visse mais.
Ele havia esquecido de como a irreciprocidade doía e tomou aquele momento como uma despedida. Passou a se concentrar em outras atividades, nas coisas que o faziam bem.

No dia seguinte, ao chegar ao escritório, entre todos aqueles cumprimentos matinais tão rotineiros, foi para o saguão do prédio esperar o elevador. Marco estava tão entrertido com seus pensamentos que não notou quem havia se aproximado.
-Você não se incomoda se pegarmos o mesmo elevador, não é mesmo?
-Ei! Rita!
Ele sorriu.
-Vai ser um prazer, contanto que não role aquele silêncio constragedor entre nós.
-Acho difícil. Pelo menos da última vez em que estivemos juntos não houveram pausas na conversa.
O elevador parou no andar em que aguardavam e Marco, como um bom cavalheiro, deixou Rita entrar na frente e foi em seguida.
-Então, agora trabalhamos no mesmo andar já que você foi promovida.
-Sim, agora você vai ter que me aguentar todos os dias.
-Ah, isso é realmente desagradável.
-Ei, cuidado comigo! - Rita deu um leve tapa no ombro de Marco enquanto sorriam um para o outro.
-Se você for menos agressiva comigo, talvez possamos almoçar juntos. Que tal?
Marco ficou surpreso consigo mesmo. Fazendo convites tão espontaneamente para um almoço, com uma mulher que havia acabado de conhecer. Isso era novidade.
-Okay. Prometo controlar meus impulsos assassinos.
Ambos desceram do elevador sorrindo, como se fossem antigos conhecidos.
-Não esqueça do meu almoço. - Disse Rita enquanto se dirigia à sua mesa.
-Deixa comigo.

[continua]

domingo, 18 de setembro de 2011

Ana e Marco. (Parte 3) - Abraço.


"Nós não podemos começar a viver que elas voltam." - Lucas Diogenes

"Ana"

O começo do namoro de Ana, como todo começo de namoro, era extasiante. Seu namorado, Pedro, era tudo em que ela pensava. Não tudo, mas na maior parte do tempo.
Como toda garota apaixonada, Ana não conseguia disfarçar a ansiedade por receber alguma notícia, alguma mensagem, algum e-mail, algum recado, alguma ligação, qualquer sinal de vida de Pedro. Claro que ela gostaria que isso viesse acompanhado de algum mimo.
Infelizmente, nessa história, alguns inconvenientes surgiram.

Ah, Pedro. Fazia Ana de tola. O pior era que ela sabia. Pior ainda era saber e ignorar. Pior do que estas duas coisas eram suas utópicas verdades e subterfúgios, tão convictos, para anestesiar, talvez, a dor causada pela real verdade de toda situação.

Como dizem: Não há nada ruim que não possa piorar.
Sim, Ana aprendeu isso da forma mais desagradável.

A verdade era que Pedro não fazia muita questão de Ana. Sim, a princípio ele gostava dela. O grande problema de tudo era a irreciprocidade. A falta de sintonia. Era como se Ana estivesse em uma frequência sentimental e ele em outra.

Ela tentou com todas as forças não acreditar que não era correspondida a altura. Tentou acreditar que não havia nada de errado com Pedro. Foram tantas omissões e negações que a situação saiu fora de controle.

Inegavelmente incomodada, resolveu conversar com Pedro sobre a situação.

- Não estamos bem.
- Você quer terminar?
Pedro disse tão naturalmente, que deu a impressão de que ele não iria lutar por ela. Ele não iria ao menos tentar.
Ana mal podia acreditar no que ouvirá, mas, por outro lado, não era tão surpreendente. Ela sentia a indiferença dele. É, graças a essa sensibilidade feminina que a faz saber se alguém está interessado nela, ou em qualquer outra, exceto ela. Percepção esta que Ana gostaria que se ausentasse em determinadas situações.
- Essa é a sua solução? Então, você também não está feliz.
- Eu sei que as coisas não estão bem entre nós, Ana. O problema é que estou enfrentando uma fase difícil.

Fase difícil: Desculpa que os homens usam para explicar seu desinteresse em uma relação.

- Pedro, eu estou aqui para te apoiar. Ajudar no que for preciso. Você sabe que pode compartilhar as coisas comigo. Por que não faz?
- Você não precisa saber dos meus problemas.
- Não preciso? Então não vou te importunar com os meus, já que esse é seu pensamento. Achei que um relacionamento servia pra compartilharmos qualquer tipo de coisa.
- Ah! - bufou, Pedro - Agora você vai começar com estas cobranças. Eu realmente não acho que esteja em débito com você. Não sou ruim pra você. Faço tudo que está dentro das minhas possibilidades pra este relacionamento dar certo.
- Dentro das suas possibilidades? Então até mesmo uma ligação está fora das suas possibilidades, porque nem isso você faz!
- Nossa, quando você quer me irritar você consegue.
- Vim conversar com você, Pedro. Infelizmente, você conseguiu transformar isto em uma discussão.
- Então, Ana, viva sua vida! Eu vou seguir com a minha, pois eu estava muito bem até você vir com essas insinuações de que eu sou o responsável por estarmos enfrentando uma suposta crise.

Ana não podia acreditar no que ele estava dizendo. Era totalmente inadmissível. Ela não pode conter as lágrimas que rapidamente transbordaram em seus olhos e deslizaram sobre seu rosto.

- Você tem noção do que está dizendo, seu insano? Eu não coloquei a culpa do insucesso do que estamos vivendo em você. Eu vim buscar uma solução! Você só usou isso como pretexto pra um desfecho. Você é um... um... Idiota, Pedro!

Ela desceu do carro. Bateu a porta com toda força que pode, para expressar sua raiva.
Raiva! Era esse sentimento que gritava mais alto dentro de Ana. Ela queria bater em Pedro, queria fazê-lo infeliz. Queria fazê-lo sentir sua dor. Mas ela sabia que tudo isso era errado e não melhoraria as coisas pra ela.

Após surrar alguns travesseiros, chorar e extravasar sua raiva nos objetos inocentes que encontrou pelo caminho, jogou-se na cama, ainda chorando e não pensou, simplesmente ligou para Marco.

Ana sabia que Marco gostava dela, mas também sabia que ele entendia que o único interesse dela era ter sua amizade.

Marco atendeu prontamente, como sempre.

- Ana!
- Marco, tudo bem?
- Sim! O que foi? Por que você está chorando?
- Acabou.
- Sério, Ana? Eu sinto muito. Eu vou até aí.
- Não precisa se incomodar. Eu só queria ouvir a voz de um amigo.
- Aposto que você precisa de um abraço amigo também.
- Marco, não vou dizer que não preciso, mas acho injusto fazer você sair de onde quer que você esteja pra vir até aqui.
- Amigos são pra todas as horas. Em 20 minutos estou aí.

Ana se perguntava como Marco podia ser tão bom com ela? Ela não sentia que merecia o carinho dele. Não entendia como ele gostava tanto assim dela, mesmo depois de se distanciar por conta do namoro.

Marco chegou a casa dela. A mãe de Ana o recebeu. Marco entrou, subiu as escadas até o quarto de Ana.
Vê-la foi como se sentir arrastado por um turbilhão de ondas de sentimentos que vinham a tona. Mesmo com olhos inchados, mesmo com os cabelos não tão penteados, a beleza de Ana ainda encantava Marco.

Ele ficou paralisado ao olhar para ela. Lembrou de como foi difícil lidar com a dor de vê-la com outro. Ao mesmo tempo sentiu raiva por alguém ter tido coragem de deixá-la nesse estado. Sinceramente, ele não sabia se deveria abraçá-la, mas não houve tempo de decidir.

Ao vê-lo, Ana lançou-se em seu peito, passando os braços por cima de seus ombros e acabando-se em lágrimas.

Marco hesitou, por um momento, mas o calor de Ana contra seu corpo não deixou que seus braços ficassem imóveis por muito tempo. Então ele logo a envolveu em seu afetuoso abraço.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ana e Marco. (Parte 2)


Os dias foram passando. O sentimento de Ana pelo namorado cresceu. Quando eu digo cresceu, quero dizer que realmente cresceu, entende? Talvez tenha até fugido um pouco ao seu controle, mas ela se entregou totalmente ao novo.

Marco, pobre Marco. Decidiu esquecer Ana de vez. De uma vez por todas. Mas não era simples afastar-se assim, apesar de que Ana já não dava ao amigo a mesma atenção.

Ele pensou que se sumisse por um tempo, talvez ela não desse falta. Embora ela não mantesse contato com a mesma frequência, não havia esquecido Marco, afinal, a amizade entre os dois era sincera.

Marco começou evitar muitas das coisas que o lembravam dela. Começou parar de ligar, mas nunca deixou de atender ou responder as ligações e mensagens de Ana.

Até que um dia, um dia que deveria ser como qualquer outro, em mais uma reunião, que naquele dia parecia estar em níveis elevados de monotonia, uma moça diferente sentou ao lado dele.
Ele não deu muita atenção a princípio, até que ela sorriu para ele. Foi então que algumas coisas começaram a mudar.

Marco fez alguma piada sobre o tema que era abordado. Ela concordou e riu. Foi então que surgiu uma série de sátiras sobre a reunião.

- A propósito, meu nome é Rita.
Disse ela ao término da reunião, quando todos dispersos se espreguiçavam e sorriam. Aliviados da tensão que a sala continha.
- Marco. - Sorriu ele enquanto respondia e estendia a mão para se cumprimentarem.
Foi então que alguns colegas de Marco os cercaram, e ele os foi apresentando a Rita.
- Você é nova aqui, certo? - Disse Joana, uma das colegas de Marco.
-Na verdade não, já estou aqui faz algum tempo, mas é a primeira reunião a qual eu sou chamada.
- Ah, meus parabéns! Seja bem-vinda! Que tal um coffee-break, pessoal?
Marco sorriu, fitou Rita um tanto animado e respondeu:
- Eu topo!

Então todos se juntaram aos três e foram, exceto alguns que tinham tarefas inadiáveis para entregar, mas isso não vem ao caso.

Marco se divertiu com Rita. Ela era linda, engraçada e tinha boas histórias.

Saíram dali e continuaram caminhando, compartilhando fatos interessantes de suas vidas.
Ele se sentiu totalmente cativado por ela.

Chegou a hora da despedida, de um dia que ele realmente não queria que terminasse.
Até que o celular de Marco tocou. Era Ana, aos prantos precisando dele.

[continua]

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ana e Marco.


Essa é só mais uma história interessante que eu ouvi e gostaria de compartilhar.

Ana, uma garota peculiar, extraordinária a sua maneira, como qualquer outra garota sonhadora e secretamente romântica, não melosa, romântica. Estimava por demais sua família. Conhecia muita gente, mas sabia que os amigos verdadeiros eram poucos.

Marco era um rapaz extremamente tranquilo e atencioso. Apegado aos irmãos, assim como Ana, apreciava muito sua família. Demonstrava preocupação e interesse pelos problemas dos amigos. Era bastante procurado para aconselhamentos e afins, era quase um terapeuta. Excelente ouvinte.

Essa é a história de como os dois se conheceram.

Ana, como sempre, espevitada, serelepe e alegre entre amigos. Falante e para Marco, encantadora a princípio. Sim, Ana era bonita e acredite, nunca se achou tão bela assim, apesar de chamar atenção dos rapazes.

Foi entre amigos que os dois se acharam, apesar de Ana não dar a mínima para Marco. A parte mais interessante da história é como o amor surgiu entre os dois.

Obviamente, Marco logo de início viu em Ana tudo o que ele gostaria de ter em alguém. Era difícil ele negar isto, principalmente pela forma como olhava para ela, quase hipnotizado, tentando disfarçar o que não podia se esconder.

Marco era um belo rapaz, embora tivesse aquele cabelo desengrenhado de propósito, muito mal penteado, que não colaborava muito com a primeira impressão, ou incentivava a curiosidade de qualquer garota acerca dele.

Você pode pensar que é clichê. Por que sempre o cara que se apaixona primeiro por uma garota que o esnoba e nem demonstra interesse por ele?

A verdade é que não foi por beleza que Marco se encantou por Ana. Foi pelo que ele descobriu dela. Na verdade, se fosse simplesmente pela aparência, ele não teria se aproximado dela.
Marco era alguém muito mais profundo do que isso.

Entre toda aquela gente que falava e ria, entre toda aquela bagunça gostosa que há entre amigos reunidos, Marco encontrou uma oportunidade de falar com Ana.

Ana não despreza uma boa conversa. No entanto, ela sentiu um tanto de aversão quando Marco se aproximou. Não a julgue por isso também, mas seu pensamento foi 'lá vem mais um nerd'. Ana atraia nerds. Afinal, ela gostava de coisas que os interessam.

Então, Ana teve uma grande surpresa, Marco era gentil e incrivelmente divertido. O que a fez conversar com ele praticamente a noite toda.

Marco saiu cheio de esperanças de revê-la e sim, de que, incrivelmente, Ana tivesse se interessado por ele e um romance surgiria.

Ah, pobre Marco. Ainda não foi dessa vez.
Na verdade Ana era muito mais complicada do que ele podia imaginar. Cheia de dilemas amorosos.

Marco ingênuo pelo sentimento, resolveu que iria conquistá-la. Os dois se falavam praticamente todos os dias. Ana feliz por encontrar um amigo. Marco feliz por pensar encontrar muito mais do que uma amiga.

Eles pensavam semelhante, compartilhavam praticamente os mesmos gostos, não tudo, mas na maioria das coisas eles combinavam.

Até que Ana se apaixonou. Não, não foi pelo Marco. Ele ainda usava aquele corte de cabelo, sabe?
Não era ruim assim. Na verdade era até charmoso. Ou não, enfim. Ana não gostava muito. Mas nunca viu Marco com olhos além de amizade.

Ela se apaixonou e começou a namorar. Isso partiu o coração de Marco, que há algum tempo já não sabia como coisas assim machucavam.

Enfim, o que ele podia fazer? Ele nunca teve coragem de se declarar. Ele tinha o mesmo medo de Ana. Medo de rejeição e irreciprocidade. Por isso preferiu não arriscar, e levar consigo simplesmente o melhor que pode ter com ela, uma relação de amigos.

Ele decidiu se afastar. Machucava vê-la com outro.
Embora ele não tenha conseguido se afastar totalmente, afinal ela o procurava constantemente, o sentimento de Marco foi se tornando ameno. Até conseguir equilibrá-lo no mesmo patamar. Pelo menos foi no que ele acreditava.

[continua]